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Sorrentino faz seu filme mais íntimo em ‘A Mão de Deus’

O título do longa-metragem faz referência a Diego Maradona, ídolo do cineasta e quem ele considera responsável por salvar sua vida

16 de dezembro de 2021 12:58
- Atualizado em 17 de dezembro de 2021 11:49

Paolo Sorrentino é um dos principais nomes do cinema italiano em atividade. Ele ficou mundialmente conhecido por filmes como ‘Aqui é o Meu Lugar’ (2011), o vencedor do Oscar ‘A Grande Beleza’ (2013) e ‘Juventude’ (2015). Agora, o cineasta nos traz ‘A Mão de Deus’, que chegou ontem, dia 15, à Netflix após um curto período em cartaz nos cinemas brasileiros.

O novo trabalho do diretor começa intragável para os brasileiros, afinal a primeira cena inunda a tela com uma frase direcionada a Diego Maradona como “o melhor jogador de futebol de todos os tempos”. Em terra de Pelé são poucos os que entram no mérito de que o argentino é rei, mas sabemos que no mundo há espaço para ambos.

Paolo Sorrentino nos bastidores de ‘A Mão de Deus’ (Crédito: Divulgação/Netflix)

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Maradona nos deixou em novembro de 2020 e ‘A Mão de Deus’ acaba prestando uma bela homenagem ao ex-jogador de futebol, que é um ídolo na Itália. Sorrentino nasceu em Nápoles, onde o atleta passou parte da carreira jogando no Napoli, o que explica o peso do jogador no país e na vida do diretor – e também na trama do novo longa.

Sorrentino e Maradona

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‘A Mão de Deus’ é o filme mais bonito e também o mais íntimo de Sorrentino. Há tom autobiográfico, tal qual Federico Fellini fez em um de seus clássicos que é referenciado no longa. Assim como o protagonista de sua nova obra, Paolo Sorrentino tem uma relação com Diego Maradona.

O cineasta acredita que o jogador é o motivo dele estar vivo: “Ele involuntariamente salvou minha vida. Perdi os meus pais quando tinha 16 anos em um acidente com o sistema de aquecimento numa casa nas montanhas, onde sempre costumava ir com eles. Naquele fim de semana, não fui porque queria assistir a um jogo do Maradona no Napoli em Empoli, e isso me salvou”.

O cineasta contou isso à Variety em 2015, e completou ao falar da emoção de voltar a sua cidade natal para filmar o mais recente projeto. “‘A Mão de Deus’ será, pela primeira vez na minha carreira, um filme íntimo e pessoal, um romance de formação ao mesmo tempo alegre e doloroso”.

Fabietto e Sorrentino

‘A Mão de Deus’ é uma poética comédia italiana, ainda que com nuances mais sérios. O filme tem um tom caricato, focando em personagens que transpiram diferentes personalidades italianas na região do sul e todas contemplam a vida de Fabietto Schisa (Filippo Scotti). Sua família é o centro de seu mundo, apenas quando há um abalo nisso é que rapaz passa a enxergar a si mesmo e suas ambições.

A principal aspiração do protagonista é se tornar um cineasta, pois, como é dito no longa, ele precisa se abstrair da realidade – e, segundo Federico Fellini, cinema é apenas uma distração.

Mesmo quem desconhece o trabalho do diretor vai conseguir identificar que história é inspirada no realizador – que é também o roteirista desta história. A paixão de Fabietto por futebol, pelo Napoli, por sua família e também o seu tom observador, tudo é algo que podemos relacionar a alguém do mundo artístico.

Filippo Scotti é Fabietto em ‘A Mão de Deus’

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‘A Mão de Deus’ é um retrato belíssimo da leveza da vida e também de como ela é frágil. Em alguns momentos, é natural se lembrar de ‘Cinema Paradiso’, que tem também uma ligação forte com a sétima arte. O filme de Paolo Sorrentino começa de um jeito e acaba se tornando uma ode às produções italianas.

O cineasta juntou o esporte, as descobertas e amarguras de um jovem, que coincidem em uma nova paixão: o cinema. Possivelmente, grande parte do público vai se identificar com algum traço de Fabietto, ou com alguém da sua família – que traz ótimos atores: o pai do personagem é interpretador pelo ótimo Toni Servillo (‘Silvio e os Outros’), a mãe é Teresa Saponangelo (‘Que Mais Posso Querer’) e a tia é Luisa Ranieri (‘Cartas Para Julieta’).

As “musas” da trama são mulheres mais velhas e isso é bem raro de ver – e é ótimo. As personagens femininas vem em todas as formas e tamanhos e, por mais que tenham algumas piadas que soem mal, acabam ficando em segundo plano quando notamos que o foco ali é outro. É um italiano, natural de Nápoles, tirando um sarro de sua própria cultura.

Será que vem mais um Oscar para a Itália?

Sorrentino não veio para brincar na atual temporada de premiações: o longa deve sair com indicações e possíveis prêmios. A produção foi a escolha da Itália para entrar na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2022.

Além disso, ‘A Mão de Deus’ foi premiado com Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza 2021, o Leão de Prata, e também com o trófeu Marcello Mastroianni Award de melhor jovem ator para Filippo Scotti. Paolo Sorrentino ficou com o Prêmio Campiello de Melhor Filme e Teresa Saponangelo com o de melhor atriz.

Só nos resta esperar para saber se o longa teve o merecido impacto nas premiações de 2022.

Para ler mais informações sobre ‘A Mão de Deus’, incluindo trailer, outros motivos para assistir e o link para ver na Netflix, acesse a página do filme clicando aqui.

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