amy-adams-mulher-na-janela

De Hitchcock a Fritz Lang: saiba as referências de ‘A Mulher na Janela’

O filme da Netflix presta homenagem a grandes clássicos de Hollywood

19 de maio de 2021 11:37
- Atualizado em 21 de maio de 2021 20:15

O suspense ‘A Mulher na Janela’ é um dos mais recentes lançamentos da Netflix. Estrelado por Amy Adams, Gary Oldman e Julianne Moore, o longa chegou ao streaming na última sexta-feira, 14. Quem já assistiu percebeu que a produção está cheia de referência a clássicos de Hollywood.

Por isso, o Filmelier traz aqui as principais inspirações e citações feitas na história – não só para você conhecer e matar a curiosidade, mas também para poder mergulhar em verdadeiras joias do passado.

A primeira grande referência é o nome do filme, que é uma alusão bem direta a obra de Fritz Lang ‘Um Retrato de Mulher’ (1944), em inglês ‘The Woman in the Window’. E por falar na mulher do título, Amy Adams é, sem dúvida, é dos motivos para assistir ao filme.

‘A Mulher na Janela’ tem Amy Adams, Gary Oldman e Julianne Moore no elenco (Foto: Divulgação/Netflix)

‘A Mulher na Janela’ é a adaptação do livro homônimo do norte-americano A. J. Finn, pseudônimo de Daniel Mallory, que também é editor literário.

Publicidade

Ao ler o livro, há um grande déjà-vu de outras obras literárias – sentimento que ganha mais corpo ao se assistir ao filme. A narrativa é uma mistura de ‘Janela Indiscreta’, do diretor britânico e mestre do suspense Alfred Hitchcock, com ‘A Garota no Trem’, livro de Paula Hawkins, que inclusive já ganhou duas adaptações para o cinema – uma com Emily Blunt como a protagonista e outra indiana, ‘The Girl on the Train’.

‘Janela Indiscreta’

A produção acompanha Anna, uma psicóloga que está confinada em casa por sofrer de agorafobia – transtorno de ansiedade que impede a pessoa de ir a lugares desconhecidos e/ou que fujam do seu controle. Seu passatempo é observar a vida dos vizinhos, até que vê um crime na casa da frente.

Esse é um dos pontos que a narrativa mais se assemelha a ‘Janela Indiscreta’ (1954). Na trama, o fotógrafo Jeff (James Stewart) fica preso em seu apartamento após quebrar a perna. A partir disso, seu lazer é contemplar o que acontece na vizinhança com sua câmera. Um dia, ele presencia um assassinato.

Rear Window (Janela Indiscreta): Análise e Impressões – Cine Grandiose
James Stewart como L.B. ‘Jeff’ Jefferies em ‘Janela Indiscreta’ (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)

Em ‘A Mulher na Janela’, a forma como a câmera mostra os prédios da rua e o formato deles são semelhantes aos do filme de Hitchcock. Essa primeira impressão ao mesmo tempo que é nostálgica pela referência, acaba dando a sensação que já vimos aquilo antes e que talvez esse filme não seja tão interessante.

Mas logo, temos uma quebra dessa expectativa quando o roteiro começa a ficar bem confuso. E, acredite se quiser, esse é um dos méritos da história. O mesmo foi visto recentemente em ‘Meu Pai’, que levou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator (para Anthony Hopkins) este ano. Essa confusão conversa com a mente da protagonista, que nos faz duvidar de sua sanidade.

‘A Garota no Trem’

A constante dúvida da trama é entender se Anna está delirando pois faz uso de remédios psicológicos com bebidas alcoolicas ou se de fato, ela presenciou alguma coisa. Na narrativa, ela chama a polícia para reportar o que aconteceu, mas é descredibilizada por conta de seu histórico.

Emily Blunt, de 'A Garota no Trem': 'Gosto de espiar os outros' | VEJA
Emily Blunt é Rachel em ‘A Garota no Trem’ (Foto: Divulgação/Universal Pictures)

Neste âmbito, temos a referência de ‘A Garota no Trem’, na história, Rachel sofre o mesmo julgamento por também ter problemas com álcool. Na trama, ela fica obcecada por um casal aparentemente perfeito que mora em uma casa pela qual seu trem passa diariamente. Certo dia, Rachel presencia algo suspeito e começa sua própria investigação.

‘Um Retrato de Mulher

O lado psicológico da trama é genuinamente interessante e isso nos faz voltar a primeira referência que citamos, a de ‘Um Retrato de Mulher’, do diretor Fritz Lang. Além do título, as duas histórias focam no estudo da mente. No longa do diretor alemão, um professor universitário de psicologia acaba se envolvendo em um assassinato e o roteiro todo foi inspirado em teorias do psicanalista Sigmund Freud.

Assim com Anna, que é psicóloga em ‘A Mulher na Janela’, e o tempo todo somos lembrados desse fato no decorrer. Tem um certo moralismo quando vemos algum personage dizer o quão contraditório é ela beber enquanto faz uso de medicamentos controlados.

‘Laura’

A protagonista claramente usa a bebida como válvula de escape, assim como usa os filmes. Em diversos momentos vemos Anna assistir a longas dos anos 1940 e 1950. Inclusive, em uma das cenas – logo no início – tem um trecho do próprio ‘Janela Indiscreta’. No decorrer da história, enquanto ela passa seu tempo entre apagões e lucidez, ela aprecia a Era de Ouro de Hollywood.

Anna assiste ao suspense ‘Laura’ (1944), de Otto Preminger, e vai recita as falas do filme. Esse momento foi muito bem colocado pelo diretor Joe Wright, pois antecede o crime que a personagem de Amy Adams vai observar pela janela.

‘Laura’ é um dos mais conhecidos film noir da década de 1940, acompanha o detetive Mark McPherson (Dana Andrews) investigando o assassinato da executiva, Laura Hunt (Gene Tierney). Assista ao trailer:

‘Quando Fala o Coração’

Outro longa de Hitchcock que vemos é ‘Quando Fala o Coração’ (1945). Em uma cena Anna adormece enquanto assistimos à reprodução do filme ao fundo, bem na sequência do sonho – que contou com o design do Salvador Dalí.

Imagem
A icônica cena de ‘Quando Fala o Coração’ ao fundo em ‘A Mulher na Janela’ (Foto: Reprodução/Netflix)

Novamente, temos a ligação com a psicologia, já que no longa do Mestre do Suspense Ingrid Bergman interpreta uma psicóloga que trabalha em uma clínica especializada em doenças mentais.

‘Prisioneiro do Passado’

O gosto cinematográfico da protagonista é dos mais requintados, em outro momento acompanhamos ela assistindo a ‘Prisioneiro do Passado’, clássico noir com Humphrey Bogart e Lauren Bacall.

Na trama, um homem condenado por matar sua esposa escapa da prisão para provar sua inocência. Para não voltar à cadeia, faz uma cirurgia plástica para modificar o rosto. Enquanto se recupera da cirurgia, ele acaba se apaixonando por uma mulher, que o ajudou durante o processo.

Find Bogart and Bacall in new “Dark Passage” HD - The Virginian-Pilot
Lauren Bacall e Humphrey Bogart em ‘Prisioneiro do Passado’ (Foto: Reprodução/Warner Bros.)

Jane Russell

Essa pode não ser uma inspiração de um filme, mas a atriz Jane Russell – conhecidíssima pelas produções que fez nas décadas de 1940 e 1950 – é um ponto importante na história. A personagem que leva o mesmo nome é o grande alvo da obsessão de Anna.

A atriz estrelou muitas produções como ‘O Proscrito’ (1943); ‘Os Homens Preferem as Loiras’ (1953), junto com Marilyn Monroe; ‘Eles se Casam com as Morenas’ (1955); ‘Sangue de Mestiço’ (1955); e mais.

Jane Russell e Marylin Monroe em ‘Os Homens Preferem as Loiras’ (Foto: Reprodução/20th Century Studios)

Todas os filmes citados acima trazem histórias cheias de mentiras, assassinatos não resolvidos, intrigas e muito suspense, todos de alguma forma inspirações para o autor de ‘A Mulher na Janela’.

O novo longa-metragem pode não ter agradado todo mundo, mas que está cheio de homenagens e referências à grandes produções de Hollywood é um fato. Que tal aproveitar a deixa para conhecer todos esses clássicos que citamos?

Siga o Filmelier no FacebookTwitterInstagram e TikTok.