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‘Apocalypse Now: Final Cut’ chega ao streaming do Belas Artes

Longa-metragem chegou em sua versão final ao Brasil, com cerca de três horas de duração

Matheus Mans   |  
3 de julho de 2020 11:24
- Atualizado em 6 de julho de 2020 11:04

Um dos filmes mais premiados e celebrados de todos os tempos, ‘Apocalypse Now’ agora está a apenas alguns cliques dos brasileiros. Afinal, desde a última quarta-feira, 1, o longa-metragem de Francis Ford Coppola ficou disponível na versão Final Cut no streaming do Belas Artes, o À La Carte.

E isso é importante por dois motivos. Primeiramente, como contamos quando a produção foi confirmada no streaming, há uma quebra de hiato enorme na distribuição do título no Brasil, que nunca esteve disponível em video on demand. Afinal, os direitos são intrincados em todo o mundo.

A cena dos helicópteros, ao som de ‘Cavalgada das Valquírias’, continua sendo a mais impressionante do longa (Crédito: Divulgação/Pandora)

Além disso, segundo o próprio Coppola contou, a versão Final Cut coloca um sonoro e estrondoso ponto final em um processo de edição de décadas. Há a versão inicial, que foi para os cinemas, com 2h33; a Redux, lançada em 2001, com longas 3h22; e, agora, chega essa versão definitiva com 3h03.

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Tudo isso para contar a jornada do capitão Benjamin L. Willard (Martin Sheen, no melhor papel de sua carreira) que recebe a incumbência de matar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), que enlouqueceu e criou um exército próprio. Mas, para isso, Willard terá que enfrentar um terreno perigoso.

Experiência de assistir a ‘Apocalypse Now: Final Cut’

Nas últimas semanas, iniciei uma saga para rever ‘Apocalypse Now’. Conferi em sequência a versão para os cinemas, a Redux e, por fim, a lançada pelo streaming do Belas Artes. E é interessante notar como, mesmo nas mínimas diferenças, as edições divergem bastante na experiência final do longa.

A versão dos cinemas é a mais enxuta e ainda parece ser a que vai mais direto ao ponto. No entanto, sabendo da jornada de Willard contada em Redux, dá para sentir a falta de algumas sequências, como a longa conversa entre os soldados americanos com os franceses donos de uma fazenda.

No entanto, isso não quer dizer que a versão Redux acerta em tudo. Pelo contrário. Na ânsia de colocar mais material, fica evidente que Coppola encheu o filme mais do que deveria com as quase 3h30 de projeção. A própria cena dos franceses, por exemplo, se alonga mais do que deveria.

Robert Duvall em cena de ‘Apocalypse Now’ (Crédito: Divulgação/Pandora)

Agora, em Final Cut, Coppola encontra o meio-termo que tanto queria — segundo ele, com essa versão, o público “vai ver, ouvir e sentir o filme como sempre sonhei”. Ainda sobram algumas histórias e algumas passagens, que o cineasta parece estar apegado demais para se livrar, mas não prejudicam.

O ritmo é mais célere e, o mais importante, algumas passagens acabam sendo evidenciadas pelos cortes inteligentes. A própria cena dos helicópteros ao som de ‘Cavalgada das Valquírias’ parece mais imponente e assustadora, dentro do ritmo próprio que o filme ganhou em ‘Final Cut’.

Agora, é só torcer para Coppola não vir com mais uma versão em breve. Afinal, agora, já dá vontade de sentir “cheiro de napalm pela manhã”.

Complementando a experiência

Vale ressaltar que o À La Carte não trouxe apenas o longa-metragem de Coppola. Junto, o serviço de streaming disponibilizou dois documentários. Um deles, e o mais importante, é ‘Apocalipse de Um Cineasta’, codirigido por Eleonor Coppola, esposa de Francis, que fala sobre bastidores da gravação.

E são muitas histórias. Afinal, os problemas começaram já na escalação do elenco, após Steve McQueen e Al Pacino recusarem o convite para interpretar o protagonista capitão Benjamin Willard. Acabaram escolhendo Harvey Keitel. Mas, após algumas cenas rodadas, Coppola desistiu do ator.

No final, o papel acabou ficando nas mãos de Martin Sheen, que havia impressionado o diretor em testes para ‘O Poderoso Chefão’ e com quem se encontrou, sem querer, no aeroporto de Los Angeles. Nesse acaso, Sheen acabou recebendo a oportunidade de viver o papel mais difícil de sua vida.

Nos documentários, é possível ver o caos dos bastidores do filme (Crédito: Divulgação/United Artists)

Afinal, depois desse imbróglio inicial, os problemas continuaram. Sheen, por exemplo, sofreu um infarto durante as filmagens, tendo que paralisar toda a produção. Depois, um tufão passou pela região das Filipinas — onde o filme era gravado — e destruiu parte do set do filme e alagou cenários.

Marlon Brando também deu problemas. Com dificuldades financeiras, o astro acabou postergando o início das filmagens enquanto “tentava entrar no papel”. Ganhou US$ 1 milhão, em uma semana, apenas para papear e ler o romance que inspirou o longa-metragem, ‘O Coração das Trevas’.

Fofocas do set

Por fim, nesse pacote de estreias do À La Carte, está ‘Dutch Angle: Fotografando Apocalypse Now’, de Baris Azaman. Nesse curta documental, o espectador é convidado a saber mais sobre os bastidores da gravação a partir do ponto de vista Chas Gerretsen, fotógrafo que acompanhou o set.

Em um tom que mistura confidências com fofocas, o fotógrafo holandês compartilha sua experiência e mostra como os bastidores de ‘Apocalypse Now’ foram mais confusos, bagunçados e tumultuados do que foram contados no filme de Eleanor — a história sobre um relógio é impagável.

Para assistir isso tudo disponível, o usuário pode comprar pacotes. Apenas ‘Apocalypse Now: Final Cut’ será vendido no À La Carte por R$ 14,90. Enquanto isso, o longa-metragem de Coppola e os dois documentários serão comercializados juntos por R$ 19,90. Só os documentários, R$ 7,90.

Por fim, quem é assinante do À La Carte terá acesso direto, sem cobrança de valor adicional, aos filmes documentais. Só o longa de Coppola é à parte.