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Audrey Hepburn muito além de ‘Bonequinha de Luxo’

Aproveitando a estreia do documentário ‘Audrey’, o Filmelier relembra a trajetória da atriz, que além de uma lenda de Hollywood também foi uma mulher inspiradora

18 de junho de 2021 11:39
- Atualizado em 19 de junho de 2021 18:40

Nesta semana, chega ao streaming o documentário ‘Audrey’. A produção, como o nome entrega, é sobre Audrey Hepburn, um dos maiores ícones da história do cinema – e a terceira atriz mais importante da Era de Ouro de Hollywood, segundo a American Film Institute. Ao lado de Katharine Hepburn, Bette Davis e Ingrid Bergman, Hepburn é uma das cinco maiores lendas femininas da sétima arte.

Aproveitando a estreia do longa, o Filmelier relembra a carreira desse grande ícone da sétima arte.

E o currículo da atriz é cheia de grandes sucessos, dentre eles ‘Bonequinha de Luxo’ (1961), que se tornou uma referência no mundo da moda. Audrey Hepburn já tinha conquistados todos os prêmios possíveis quando deu vida à Holly Golightly, o que apenas reforçou seu status de icônica.

Audrey Hepburn nos bastidores de ‘Bonequinha de Luxo’ (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)

Audrey Hepburn teve uma infância traumática

Nascida na Bélgica, ela vem de uma família nobre com ascendência holandesa, austríaca e britânica. A atriz teve uma infância privilegiada, viajou o mundo com a família e falava seis idiomas – holandês, inglês, francês, alemão, espanhol e italiano.

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Apesar disso, ela ficou traumatizada com o abandono de seu pai, Joseph Victor Anthony Ruston, que a deixou com a mãe, a Baronesa Ella van Heemstra, quando Audrey tinha por volta dos seis anos de idade, em 1935. Muito depois, já na década de 1960, ela voltou a encontrar o pai e o sustentou até sua morte.

Audrey Hepburn e a Segunda Guerra Mundial

Audrey Hepburn tinha 10 anos quando começou a Segunda Guerra Mundial. Sua família e a atriz sentiram na pele os terríveis efeitos deste período. Hepburn fez um diário na época e se tornou um livro com seus relatos do conflitos – ‘Dutch Girl: Audrey Hepburn and World War II’, por Robert Matzen.

“Nós nos mantínhamos com uma fatia de pão feito com qualquer cereal e um prato de sopa aguada elaborada com uma só batata. Os que suportavam isso continuavam com vida, e se continuavámos com vida então não estávamos mortos”, escreveu ela.

Ao longo de sua vida, Audrey sofreu com a subnutrição causada por essa fase de sua vida. Tanto que isso gerou problemas em sua carreira de bailariana e também para engravidar, ela sofreu inúmeros abortos.

A atriz foi chamada para interpretar Anne Frank no cinema pelo próprio pai da garota, Otto Frank, mas ela recusou devido aos traumas que a Segunda Guerra Mundial traziam.

“Li ‘O Diário de Anne Frank’ quando saiu e fiquei destroçada. Eu me senti muito identificada com aquela pobre menina que tinha escrito o que eu tinha experimentado e sentido, e que tinha a minha idade”, explicou Audrey na época.

A desilusão com o balé

A família de Audrey perdeu sua fortuna durante a Segunda Guerra Mundial e sua mãe passou a trabalhar, em 1945. Elas se mudaram para Amsterdam, na Holanda, onde Hepburn passou a ter aula com umas da melhores professoras de balé dos Países Baixos.

RARE - Dancing Audrey Hepburn in "The Secret People" - 1952 (HD) - YouTube
Audrey Hepburn em um ensaio de balé (Imagem: Reprodução/Youtube)

Ela chegou a se apresentar em diversos espetáculos como bailariana e conseguiu um papel no documentário educacional ‘Dutch in Seven Lessons’. Ainda na década de 1940, novamente, Audrey e sua mãe se mudaram, dessa vez para Londres, onde a artista ganhará uma bolsa de estudos no Ballet Rambert.

Na Inglaterra, Audrey Hepburn trabalhava como modelo e acabou desistindo da carreira de bailariana devido a sua estatutura e tipo físico – ela ficou com a constituição corporal fraca devido a desnutrição que passou – que nunca iam garantir um papel principal para ela no ramo. Seu foco tornou-se a atuação.

Rumo ao estrelato

Aos 24 anos, ela ganhou primeiro papel de protagonista em ‘A Princesa e o Plebeu’ (1953) e levou o Oscar, Globo de Ouro e BAFTA como melhor atriz. Se tornou a primeira atriz a vencer os três prêmios por uma única atuação, o que é bem comum hoje em dia, por exemplo.

No mesmo ano, Hepburn estrelou a peça ‘Ondine’ e foi também consagrada com um Tony – o Oscar do teatro.

A partir disso, ela protagonizou uma sequência de clássicos de Hollywood: ‘Sabrina’ (1954), ‘Guerra e Paz’ (1956), ‘Cinderela em Paris’ (1957), ‘A Flor que Não Morreu’ e ‘Uma Cruz à Beira do Abismo’, ambos de 1959.

Audrey Hepburn foi indicada novamente ao Oscar por ‘Sabrina’ e ‘Uma Cruz à Beira do Abismo’, que não lhe rendeu o prêmio da Academia, mas seu segundo BAFTA.

Cena de ‘A Princesa e o Plebeu’ (Reprodução/Paramount Pictures)

Nos anos 1960, a atriz estrelou o famosíssimo ‘Bonequinha de Luxo’ e recebeu sua quarta indicação ao Academy Awards e a quinta ao Globo de Ouro. A produção foi um sucesso e levou dois Oscars, melhor trilha sonora e melhor canção original por ‘Moon River’.

Depois veio ‘Charada’ (1963), ‘Minha Bela Dama’ (1964), ‘Como Roubar Um Milhão de Dólares’, (1966) e ‘Um Clarão nas Trevas’ (1967) – que chamou atenção do Oscar, BAFTA e do Globo de Ouro, rendendo indicações aos prêmios.

A partir dos anos 1970, Audrey Hepburn passou a focar mais em missões humanitárias e foi deixando o cinema de lado.

Antes de atriz, Audrey era uma benfeitora

Paralela à sua carreira de atriz, Hepburn foi também uma mulher humanitária e fez missões mundo afora como Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF. Ainda em 1954, ela se juntou às Nações Unidas e a partir de 1988, passou a viajar pelo mundo ajudando crianças carentes. Audrey passou por diversos países da África, América do Sul e Ásia.

Em 1992, ela foi homenageada na Casa Branca com Medalha Presidencial da Liberdade, em reconhecimento ao seu trabalho. E no ano seguinte, Audrey deveria receber o prêmio Prêmio Humanitário Jean Hersholt, no Oscar, por sua contribuição para a Humanidade, mas a atriz faleceu antes da realização da cerimônia.

Cena de ‘Sabrina’ (Foto: Reprodução/Paramount Pictures)

Audrey Hepburn morreu em 20 de janeiro de 1993, vítima de um tipo raro de câncer abnominal, que já havia se espalhado quando ela descobriu. A atriz deixou dois filhos, Sean Hepburn Ferrer, fruto de seu casamento com o astro Mel Ferrer, e Luca Dotti, de seu casamento com o psiquiatra Andrea Dotti.

Hepburn tinha apenas 63 anos quando morreu, ela nos deixou mas seu legado segue vivo nos seus filmes. Muito além de um ícone da moda e do cinema, ela foi também uma mulher inspiradora.

Acompanhe mais dessa história no documentário ‘Audrey’, já disponível para aluguel ou compra online.

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