eike2

‘Eike: Tudo ou Nada’ mergulha na ascensão e queda daquele que foi o 7° homem mais rico do mundo

Com Nelson Freitas como Eike Batista, longa-metragem mostra bastidores de uma operação econômica fracassada

Matheus Mans   |  
20 de setembro de 2022 18:28
- Atualizado em 21 de setembro de 2022 17:47

É um perigo imenso falar, nos cinemas, de assuntos que aconteceram outro dia e que ainda estão frescos na nossa memória. Afinal, a História ainda não aconteceu — essa História com “H” maiúsculo, em que a vida, a sociedade e a política foram colocados em perspectiva. É um risco imenso errar a interpretação, a leitura, o contexto. E é justamente essa aflição que acontece em ‘Eike: Tudo ou Nada’, estreia dos cinemas da próxima quinta, 22, sobre ascensão e queda de Eike Batista.

Dirigido e roteirizado por Dida Andrade e Andradina Azevedo, além de ser inspirado no livro de Malu Gaspar, o longa-metragem fala sobre a virada de chave na vida do empresário — quando ele deixa de abraçar apenas os setores de energia e mineração para também embarcar na área do petróleo. É aí que começam os problemas de seu projeto de poder, precisando depender de terceiros para conseguir abraçar de vez esse mercado tão concorrido e complicado.

“O livro e a história do Eike são encantadores. Fomos com a proposta de fazer um recorte, já que não daria pra falar de toda a sua vida. Pegamos na euforia do pré-sal. Ele materializou esse momento. É o que era possível caber um 1h30”, explica Andradina. “Além disso, tem as progressões dramáticas. No começo do filme, apesar de já ser bilionário, ele não tinha respaldo da elite econômica brasileira. A gente achou interessante esse personagem ter o desafio de entrar no petróleo. Ele podia ter dado um passo atrás, mas quis ir pra frente. Ele queria ser amado o tempo todo”.

Cena de Eike Tudo ou Nada
Nelson Freitas é Eike Batista, em atuação que o deixa irreconhecível (Crédito: Divulgação/Downtown/Paris)

🎞  Quer saber as estreias do streaming e dos cinemas? Clique aqui e confira os novos filmes para assistir!

Publicidade

Como já falado, isso traz todo o problema de não haver análise e reflexão. Malu, em um livro excepcional, faz um recorte do que acontecia na elite econômica, quase como uma fotografia. Não deu tempo de entender o impacto disso, tampouco exatamente os detalhes e meandros. Dessa forma, o filme nasce naturalmente enviesado pelos depoimentos. Mesmo sem querer, transforma Eike em uma marionete quase sem vida. Será que era isso mesmo?

Sobra, enfim, um questionamento e uma reflexão para compreender essa jornada inacreditável — desde seu início até o final melancólico, quando a polícia se tornou protagonista. “Como um brasileiro virou a sétima pessoa mais rica do mundo? Fizemos esse recorte e tomamos uma decisão acertada de pegar assuntos do livro. Pegamos as falas pra passar mais credibilidade. Pegamos o que tinha de melhor, tanto do livro quanto do que já sabíamos”, diz Dida.

‘Eike: Tudo ou Nada’: elenco de bilhões

Enquanto a história apresenta esses problemas, como uma passada de pano em toda a situação envolvendo Eike, as atuações são um brilho à parte. Xando Graça, sempre genial em cena, se sai muito bem como um braço-direito atrapalhado. Papel caiu como uma luva. Juliana Alves passa autoridade como a única mulher a integrar a liderança da empresa de Batista, em uma personagem que representa uma mulher real que viveu em um ambiente sufocante.

“Sabia que essa personagem era rara e também improvável. Ela só consegue existir nesse lugar se ela se impõe e se é muito boa. Qualquer dúvida sobre a competência dela, não teria como aguentar em um ambiente machista. Imagina então uma mulher negra”, diz Juliana. “O racismo é completamente inevitável nesse ambiente. A história do Brasil mostra isso. Entendi como é uma forma de transformar o imaginário. O cinema tem essa missão. Só transformamos através da experiência e audiovisual traz essas experiências. Eu não posso só não errar, tenho que surpreender”.

Nelson Freitas, conhecido principalmente por seus personagens em humorísticos, está transformado em cena — em alguns momentos parece uma encarnação de Eike, seja pela fala, postura ou pelo jeito de olhar. Para ele, não foi fácil. “O Eike existe. Ele tá aqui, é contemporâneo. Esse foi meu desafio”, diz. “Me preparei por dois meses. Como lidar? Fui pesquisando, vi milhares de vídeos e de documentos. Como traduzir esse personagem contemporâneo que existe?”.

No meio do processo, aliás, Nelson enfrentou duas barreiras que complicaram tudo ainda mais. Primeiramente, estava muito forte na época. Uma médica, contratada pelo filme, afirmou que ele precisava emagrecer dez quilos. “Tirei açúcar, carboidrato, a alegria”, conta o ator. Depois, já no final das gravações, teve apendicite. “Três dias antes de terminar o filme”, diz Nelson. “Tiveram que gravar coisas sem mim e depois a magia do cinema aconteceu”.

‘Eike: Tudo ou Nada’ estreia nesta semana nos cinemas. Se você quiser saber mais sobre o filme ou encontrar o link para comprar ingressos, clique aqui.

Siga o Filmelier no FacebookTwitterInstagram e TikTok.