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‘Enola Holmes’: Netflix é processada por filme sobre irmã de Sherlock Holmes

Representantes do espólio de Arthur Conan Doyle entraram com ação contra o streaming

25 de junho de 2020 11:56

A Netflix está enfrentando problemas com seu próximo lançamento, o filme ‘Enola Holmes’, que conta a história da irmã mais nova de Sherlock Holmes. Representantes do legado de Arthur Conan Doyle, autor dos livros sobre o detetive, entraram com uma ação contra o serviço de streaming.

O longa deve estrear nos próximos meses e conta com Millie Bobby Brown como protagonista e Henry Cavill como o famoso detetive. Segundo as informações do Hollywood Reporter, a produção viola os diretos autorais dos últimos livros de Doyle sobre a figura de Sherlock Holmes.

Millie Bobby Brown, Henry Cavill e Sam Claflin na adaptação dos livros sobre Enola Holmes. (Crédito: Divulgação/Netflix)

Antes que a produção seja lançada, a Fundação Conan Doyle Estate, responsável pelos diretos das obras do escritor, entrou com um processo alegando violação de direitos autorais e violações de marca comercial.

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A queixa foi apresentada ao tribunal nesta semana e, além da Netflix, envolve também a produtora Legendary Pictures, a editora Penguin Random House e a autora Nancy Springer. A escritora é a responsável pela série de livros sobre Enola Holmes.

Quer saber mais sobre ‘Enola Holmes’?

‘Enola Holmes’ conta a história da irmã mais nova (Millie Bobby Brown) de Sherlock Holmes, que também tem um fraco por mistérios. No filme, ela vai investigar o desaparecimento da mãe, interpretada por Helena Bonham Carter, e buscará ajuda dos irmãos Mycroft (Sam Claflin) e Sherlock (Cavill).

Millie Bobby Brown como Enola Holmes. (Crédito: Divulgação Netflix)

Com produção de Millie Bobby Brown, o filme marca a estreia na direção de longas de Harry Bradbeer (que trabalhou em séries como ‘Fleabag’). Já o roteiro ficou a cargo de Jack Thornes (do filme ‘Extraordinário’).

Entenda melhor a disputa pelos direitos autorais de Sherlock Holmes

Em 2014, a Conan Doyle Estate perdeu a maior parte de seu poderes autorais sobre a obra de Sherlock Holmes. Afinal, foi decidido que todas as histórias sobre ele antes de 1923 se tornariam de domínio público.

Mas a decisão não tirou o poder e nem o valor dos últimos dez trabalhos originais, escritos entre 1923 e 1927. Os elementos dessas obras são protegidos por direitos autorais.

No recente processo, o Doyle Estate alega que a diferença entre as histórias de domínio público e as de direitos autorais são emoções – pois Sherlock Holmes se tornou um personagem mais complexo.

Com base nisso, eles alegam que a obra de Nancy Springer traz a detetive com um emocional mais devolvido, pertencendo aos trabalhos originais de Arthur Conan Doyle. O argumento afirma que qualquer pessoa que queira adaptar esta versão de Holmes precisa de licença.

“Depois das histórias de domínio público e antes das com direitos autorais, aconteceu a 1ª Guerra Mundial. Nela, Doyle perdeu seu filho e seu irmão. Quando ele volta a Holmes, nas histórias com direitos autorais de 1923 a 1927, já não era suficiente que o personagem fosse só brilhantemente racional e com uma mente analítica. Holmes precisava ser humano. O personagem precisou de um desenvolvimento humano de conexão e empatia”, diz o processo.

O documento diz também que o filme estreia no mês de agosto, mas a Netflix ainda não confirmou. No entanto, nesta quinta-feira (25), o streaming divulgou, no Twitter, que o lançamento deve ocorrer antes de setembro, mas não deram uma data precisa.

Além de ‘Enola Holmes’

Em 2015, o filme ‘Sr. Sherlock Holmes’, estrelado por Ian McKellen e Laura Linney, enfrentou um processo. Novamente, a Conan Doyle Estate entrou com uma ação contra a Miramax por motivos semelhantes, em relação a complexidade e evolução do detetive na adaptação.

Ian McKellen como Sherlock Holmes. (Crédito: divulgação Miramax)

A situação foi resolvida com um acordo e o longa foi lançado. ‘Sr. Sherlock Holmes’ foi exibido no Festival de Berlim e bem recebido pela crítica.