‘É um filme sobre diferentes formas de amar’, diz diretor de ‘Música para Morrer de Amor’ ‘É um filme sobre diferentes formas de amar’, diz diretor de ‘Música para Morrer de Amor’

‘É um filme sobre diferentes formas de amar’, diz diretor de ‘Música para Morrer de Amor’

Rafael Gomes, o diretor do filme, falou sobre a origem da história, os dilemas dos personagens e os desafios do amor

Matheus Mans   |  
20 de agosto de 2020 13:55
- Atualizado em 7 de julho de 2023 16:17

“Eu tô pedindo a tua mão, me leve para qualquer lado”, canta Cazuza em ‘Maior Abandonado’, canção que abre o filme ‘Música Para Morrer de Amor’, que chegou aos drive-ins na última semana e ao streaming nesta quinta, 20. E não é à toa. Afinal, assim como Cazuza entoou incertezas e amores da juventude, o filme de Rafael Gomes segue por esse caminho. 

Adaptação da peça ‘Música para Cortar os Pulsos’, escrita por Gomes há dez anos no auge da sua pós-adolescência, o longa-metragem conta a história de três pessoas. Felipe (Caio Horowicz) quer se apaixonar, não se importando por quem ou como. Ricardo (Victor Mendes) está apaixonado por ele. E Isabela (Mayara Constantino) sofre de um coração partido.

Caio Horowicz e Victor Mendes vivem um romance complicado no longa-metragem (Foto: Divulgação/Vitrine Filmes)

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A partir disso, ‘Música para Morrer de Amor’ fala sobre… amor, é claro. Mas, acima disso, busca dar voz às pessoas com seus clichês e desamores. Afinal, esses três personagens acabam se encontrando e desencontrando, numa espécie de triângulo (ou seria quadrado?) amoroso. Sofrem uns pelos outros. Acreditam no amor. Amizade e romance se embaralham.

“É muito declarado para mim, desde a primeira cena, que o filme é sobre amor”, resume Rafael Gomes, em entrevista ao Filmelier. “Tem uma trama, claro. Mas ela anda junto com a sentimentalidade que ela traz. É muito natural que esse tema também transborde para outras camadas. O amor com o amigo, com o interesse sexual, com a família. O que é amor?”.

O início de ‘Música para Morrer de Amor’

Essa pergunta já foi feita pelo próprio Rafael Gomes, há uma década. Ele tinha acabado de viver todas emoções e sentimentos da adolescência e sentiu vontade de colocar no papel. Queria ser cineasta, mas encontrou o seu espaço no teatro. Escreveu a peça ‘Música para Cortar os Pulsos’, que se tornou um sucesso. Ficou três anos em cartaz, rodou todo o Brasil.

“Naquela hora, naquela época, a vontade de falar sobre isso era muito grande”, conta o cineasta, se referindo às idas e vindas do amor.  “Eu tinha acabado de fazer a série ‘Tudo o que é Sólido Pode Derreter’ para a TV Cultura, para o público adolescente, e eu tinha vontade de continuar a comunicação com esse público. Queria levar essa plateia pro teatro”.

Mas depois, Gomes começou a trilhar sua jornada rumo ao cinema. Se formou na área, começou a fazer curtas. Com o passar do tempo, acabou trilhando seu caminho. Primeiramente, roteirizou o lindo ‘De Onde eu Te Vejo’. Aí dirigiu ‘45 Dias sem Você’. E desde 2015 começou a gestar a adaptação da sua peça pros cinemas com ‘Música para Morrer de Amor’.

“É um filme
sobre elaboração
de sentimentos”

Assim para ir dos palcos para as telas, fez adaptações. Ao invés de monólogos dos três protagonistas, adicionou personagens. Denise Fraga (‘Por Trás do Pano’) é mãe do personagem Felipe. Suely Franco (‘Era o Hotel Cambridge’) viveu a vó de Isabela. Já Ícaro Silva (‘Legalize Já!’), o namorado. Isso sem falar de vários outros personagens que vêm e vão na narrativa.

“O discurso dos personagens era no passado. Para o filme, trouxemos para o presente”, acrescenta Rafael Gomes. “Assim, os personagens não podiam saber tanto sobre eles, do momento. Isso muda demais a perspectiva. É um filme sobre elaboração de sentimentos. Alguma coisa da linguagem da peça, que se estrutura como raciocínio, também era sobre isso”.

O que vem depois de ‘Música para Morrer de Amor’?

Primeiramente, o longa-metragem estava previsto para estrear nos cinemas tradicionais, nas salas escuras. No entanto, por conta da pandemia, os planos acabaram indo por água abaixo. Assim, agora, a Vitrine Filmes — distribuidora do longa-metragem — decidiu lançar a produção do jeito que é possível. Assim, no começo, em cinemas drive-in. Depois, no streaming.

Longa-metragem explora os vazios e os espaços da cidade de São Paulo (Foto: Divulgação/Vitrine Filmes)

“É muito doido. Eu sou a pessoa que sempre foi ao cinema, que sempre defendeu o cinema, que batalhou pelo cinema. Agora me vi nessa situação. Houve essa frustração que já se transformou milhares de vezes. Já foi metabolizada”, conta Rafael.  “Mas o filme é uma companhia no isolamento social. A gente quer fazer o filme existir para as pessoas agora”.

“Eu quero que o filme
seja um bálsamo
para as suas próprias
quarentenas”

Além disso, ‘Música para Morrer de Amor’ acaba servindo como um escape da realidade da quarentena. O longa-metragem é filmado todo em São Paulo, nos principais pontos da cidade — Avenida Paulista, Rua Augusta e afins. “Eu quero que o filme seja um bálsamo para as suas próprias quarentenas”, complementa Rafael Gomes, criado na cidade de São Paulo.

Ademais, a trilha sonora — marcada desde o título — acaba sendo um outro elemento que ajuda o espectador a ficar imerso na história. Tem Cazuza, Milton Nascimento, Fafá de Belém, Clarice Falcão. Uma seleção de ponta, sempre falando sobre amores. Era sobre intensidade, músicas que nos fazem fervilhar. De maneira às vezes óbvia, às vezes nem tanto”, diz.

Assim, não é à toa que o próximo projeto de Gomes é um filme musical, apenas com músicas originais de Arnaldo Antunes e Odair José. O longa já está gravado, pronto para as telonas, com protagonismo de Gabriel Leone (de ‘Os Dias Eram Assim’). Só faltam definições sobre cinemas e pandemia. “Não sei quando e como será lançado. Mas estou feliz”, finaliza Rafael.

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