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Mostra Horizonte apresenta clássicos do cinema nacional com acessibilidade

Todas as exibições acontecem no site da Mostra Horizonte, em dois horários por dia; sessões acontecem para pessoas com e/ou sem deficiência

Matheus Mans   |  
23 de agosto de 2022 18:32

Começou nesta segunda-feira, 22, uma mostra diferente de tudo que você já viu. O motivo? Ao contrário da maioria massiva dos eventos do meio cinematográfico, a Mostra Horizonte preza pela acessibilidade. Em sua gênese, está o desejo de apresentar clássicos do cinema nacional com acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva.

“A Mostra Horizonte é uma produção da ETC Filmes, que vem acompanhando as leis de acessibilidade desde a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Algumas medidas foram tomadas, outras estão em andamento. Mas o mais importante é que essas leis e normativas dão conta do que está sendo produzido daqui pra frente”, contextualiza Thais Ortega, coordenadora de acessibilidade da Mostra Horizonte.

“Mas percebemos que há um histórico muito rico que não estava sendo contemplado por essas leis. É incríveis que os filmes daqui pra frente tenham acessibilidade, mas e o nosso acervo cultural? A ideia da Mostra, nesta primeira edição, é tornar acessível esse acervo de filmes clássicos”.

Mostra Horizonte
‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ faz parte da programação da Mostra Horizonte (Crédito: Reprodução)

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As exibições vão acontecer em dois horários por dia através do site oficial da Mostra e todas as sessões poderão ser vistas por pessoas com e/ou sem deficiência juntas, usando ou não os recursos de acessibilidade (audiodescrição, legenda descritiva ou LIBRAS) de sua preferência. Para assistir aos filmes, será necessário realizar o seu cadastro no site da plataforma, e entrar nele no dia e horário do filme. O site também conta com a programação completa da mostra com acesso à sinopse, ficha técnica e trailer dos filmes, além de informações sobre os debates que serão realizados.

Durante os dias 22 a 26 de agosto, será possível conferir uma seleção dos filmes que marcaram época do cinema nacional como ‘O Auto da Compadecida‘ (2000), ‘Carandiru: O Filme‘ (2003), ‘Estômago‘ (2007), ‘O Que é Isso, Companheiro?’ (1997), além de ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol‘ (1964), ‘A Marvada Carne’ (1985), ‘Pixote: A Lei do Mais Fraco‘ (1980), ‘Jeca Tatu’ (1959), o terror ‘À Meia-Noite Levarei sua Alma‘ (1964) e, a produção mais recente, a animação indicada ao Oscar e vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais, ‘O Menino e o Mundo‘ (2013).

Programação da Mostra Horizonte, que acontece até 26 de agosto (Crédito: Divulgação/ETC Filmes)

Importância da Mostra Horizonte

Nesse contexto, a Mostra surge como um ponto de conexão. É, enfim, uma criação de público. Como Thais explicou, é o momento de fazer com que deficientes visuais e auditivos passem a ter ligação com o audiovisual nacional, de qualquer tempo. “É a formação identitária das pessoas com deficiência com relação ao cinema”, diz o ator, dramaturgo, romancista e pessoa com deficiência visual Edgar Jacques, curador da Mostra Horizonte. “As pessoas com deficiência visual, auditiva e até física produzem muito pouco no cinema até pela falta de intimidade com o que essa arte representa. Não tem um caminho mais lógico do que o cinema nacional criar essa identificação dentro dessa arte”.

Hoje, Edgar vê o alcance da acessibilidade no cinema nacional muito por conta do avanço do streaming — afinal, é mais fácil colocar recursos de acessibilidade na telinha do que na sala de cinema. “Ainda temos questões de produções, distribuidoras e exibidores que fazem acessibilidade só na hora de fazer o armazenamento da Cinemateca, o que é estranho”, diz. “Mas, nos últimos dois ou três anos, pela LBI, pelo streaming e pela pressão das pessoas com deficiência, o material disponível com acessibilidade tem aumentado. Só tem que se questionar: qual a qualidade da acessibilidade? E a divulgação? Muitas pessoas não sabem dos recursos, já que não nos veem como consumidores”.

Agora, a ideia é que a Mostra Horizonte aconteça de tempos em tempos para formação de público e alcance desses recursos. “Isso tem muitas frentes e depende de muitas coisas. Tem a questão da familiaridade com a linguagem do cinema, entender quais são os gêneros que mais agradam, a familiaridade com os recursos de acessibilidade. Esse pode ser um contato inicial com um longa totalmente acessível. Toda formação de público leva tempo e depende de muitas coisas”, diz Thaís. “Por isso, nessa primeira edição, esperamos um público curioso, interessado e engajado que, ainda, possa nos dar um ‘feedback’ para nos ajudar a criar uma segunda edição e com um próximo recorte”.

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