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“O sucesso do Peçanha diz muito sobre o Brasil de hoje”, diz Antonio Tabet sobre novo filme

‘Peçanha Contra o Animal’, especial de uma hora estrelado pelo personagem do Porta dos Fundos, acaba de estrear no Amazon Prime Video

Matheus Mans   |  
25 de outubro de 2021 11:57
- Atualizado em 26 de outubro de 2021 15:26

Sucesso absoluto nas esquetes do Porta dos Fundos, no YouTube, o policial Peçanha (Antônio Tabet) finalmente ganha um filme (ou seria um especial?) para chamar de seu. Produção exclusiva do Amazon Prime Video e disponível na plataforma desde a última sexta-feira, 22, ‘Peçanha Contra o Animal’ coloca o policial de Nova Iguaçu, uma das figuras mais incompetentes do “universo do Porta”, contra um serial killer. O Animal.

Apelidado assim por Datena, que “está em cima da polícia do Rio de Janeiro”, o criminoso já matou algumas dezenas de pessoas quando o público é colocado na rotina caótica do personagem-título ao lado de seu parceiro, Mesquita (Pedro Benevides). O clima de paródia das esquetes de mantém, é claro. Afinal, o diretor Vinicius Videla com certeza está de olho em vídeos do policial, como ‘Suborno’, com 11 milhões de visualizações.

Peçanha Contra o Animal
Antonio Tabet criou maneirismos e personalidade para o personagem do policial corrupto (Crédito: Divulgação/Amazon Prime Video)

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No entanto, em coletiva de imprensa, Tabet olhou com crítica para esse sucesso do personagem. “O sucesso do Peçanha diz muito sobre o Brasil de hoje, como também sobre o Brasil de muitos anos. É um policial incompetente, com um pé na corrupção, com vários vícios horrorosos. Ele é machista, racista, homofóbico”, diz. “É um cara péssimo, que quer melhorar de maneira torta. Por isso ele é tão querido por todas as pessoas nesse Brasil polarizado de hoje. O fato do Peçanha existir já é uma crítica”.

Nascimento de Peçanha

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Durante a coletiva, com presença do Filmelier, Tabet explicou que o nascimento de Peçanha foi natural. Começou com a participação do ator, um veterano no Porta, nos episódios de ‘CSI: Nova Iguaçu’. Mas o sucesso veio de vez com ‘Suborno’, a tal esquete com mais de 11 milhões de visualizações, que viralizou o personagem. Ele não tinha nome ou personalidade, mas ainda assim conseguiu reproduzir as falhas da polícia.

“Não era nossa ideia ter uma personagem assim. Mas, como eu sempre fiz um policial no Porta, a gente pensou em criar esse personagem como um easter egg, que sempre apareceria como o policial nas esquetes”, diz. “Como o Peçanha é uma crítica, a gente tá criticando esse agente. Virou uma personagem recorrente, as pessoas começaram a amar e pediram conteúdos mais longos. Virou uma demanda quase obrigatória nossa. Foi um pedido não só nosso, mas também do público e dos fãs do canal”.

No filme, aliás, percebe-se muito como Videla, assim como Taber e elenco, ficaram de olho nesse público já consolidado. Trouxe momentos icônicos do personagem reformulados, além de participações especiais de personagens de outras esquetes — como a atendente da farmácia. No entanto, ainda assim, o filme tem um tom reconhecível de quem gosta de paródias, como ‘Loucademia de Polícia’ e ‘Corra que a Polícia Vem Aí’.

“A ideia é exatamente essa, agradar quem está com a gente há bastante tempo, mas atrair as pessoas que gostam desse tipo de filme, de paródia, dessa mistura de besteirol com filme de serial killer”, conta o cineasta, também na coletiva de imprensa. E quais as diferenças? “O tempo de produção, tanto para gravação quanto preparação. Geralmente, fazemos as esquetes em um ritmo muito rápido. Não dura nem duas semanas”.

Universo do Porta dos Fundos

Atualmente, o Porta dos Fundos conta com um filme e dois especiais no seu portfólio — ‘Contrato Vitalício’, ‘Se Beber, Não Ceie’ e ‘A Primeira Tentação de Cristo’. Sobre o longa-metragem, o único que teve estreia nos cinemas e é considerado um filme, Tabet não mede as palavras: “eu achei uma merda “, disse o ator. “Eu posso ser considerado essa resistência ao filme do Porta. Mas ‘Peçanha’ é muito diferente de ‘Contrato Vitalício’”.

Segundo ele, obviamente, a ideia não é ganhar um Oscar com ‘Peçanha Contra o Animal’ ou se tornar um marco do cinema nacional, mas simplesmente fazer rir com esse personagem que, hoje, se tornou o mais popular do Porta dos Fundos — superando alguns outros tipos de sucesso. “Fazer humor é uma forma de pedagogia. É uma forma de ensinar, de formar, de informar. O humor mata com gentileza”, finaliza Antônio Tabet.

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