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“Vão quebrar todos cinemas de SP”, diz diretor do Belas Artes sobre nova quarentena

André Sturm, responsável pelo Belas, não ficou feliz com a nova quarentena proposta pelo governo do estado de São Paulo e não vê boas perspectivas no setor

Matheus Mans   |  
29 de maio de 2020 14:47
- Atualizado em 17 de junho de 2020 12:19

A partir de 1º de junho, São Paulo terá uma nova quarentena. Dividida em fases, será feita a retomada da economia aos poucos, observando índices do avanço da covid-19. Os cinemas, nessa nova perspectiva, ficaram para a última fase. E isso não agradou André Sturm, diretor do Petra Belas Artes.

Um dos principais cinemas de rua do País, fincado no coração da Rua da Consolação, o Belas está fechado há mais de dois meses para evitar o avanço do novo coronavírus. Primeiramente, Sturm acreditava que tudo poderia voltar a funcionar em agosto. Agora, se encontra sem esperanças.

Divisão do governo de São Paulo para a retomada da economia (Crédito: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)

“No melhor dos casos, reabro em 60 dias. E não vai ser assim. Os cinemas estão sem data, sem perspectiva. É desolador o que o governo propôs”, disse ele, que já foi executivo de cultura a níveis municipais e federais. “Essa quarentena não faz sentido. Vai quebrar todos os cinemas de São Paulo”.

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Segundo ele, se a colocação dos cinemas na chamada Fase 5 não for revista, as redes do setor não terão outra solução. “Espero que o governo venha à público e fale que se enganou”, afirma Sturm. “Se isso não acontecer, segunda-feira vamos ter que demitir todos funcionários de todos cinemas”.

O Filmelier tentou falar com o Governo do Estado de São Paulo, para rebater as afirmações de Sturm, mas não obteve um posicionamento até a conclusão desta reportagem. O texto será atualizado caso haja um retorno.

Diversificação de ganhos

Além disso, ele revelou ao Filmelier detalhes de suas contas. Hoje, o gasto do Belas Artes está na casa dos R$ 350 mil ao mês. Da parceria com a cervejaria Petra, ele paga o aluguel. Enquanto isso, cerca de R$ 190 mil são para pagar funcionários. Tudo isso vem de ganhos próprios com ingressos.

De portas fechadas, ele precisou encontrar meios de honrar seus pagamentos. Antes de tudo, fez um financiamento coletivo. Conseguiu levantar um pouco mais de R$ 60 mil. Agora, também está fazendo leilões no Instagram, com itens de artistas, para arrecadar mais algum dinheiro.

Sturm está por trás do Belas Artes (Crédito: Divulgação/MIS/Letícia Godoy)

Isso sem falar de ganhos do À La Carte, a plataforma de streaming e de video on demand da empresa, que ganhou fôlego nas últimas semanas. E de um cinema drive-in a ser implementando no Memorial da América Latina. Com esses dois, consegue ter ganhos mesmo com o distanciamento social.

No entanto, não é o bastante. “Fiz um empréstimo, nessa linha de crédito que o governo disponibilizou. Assim, agora, tenho uma dívida de três anos. E se fico fechado por mais três meses, terei um gasto de quase R$ 1 milhão”, diz. “Talvez seja melhor fechar tudo e usar esse dinheiro para outra coisa”.

Sem perspectiva para o Belas

Além de todos esses problemas, Sturm ressalta que, mesmo na Fase 5, a situação será complicada. Afinal, será preciso seguir exigências, como limpeza entre exibições e lotação de 35%. Um certificado da Vigilância Sanitária também será exigido pela prefeitura para manter portas abertas.

Segundo Sturm, antes da publicação desses protocolos na última quarta-feira, 27, ele tinha sido consultado para uma outra proposta de quarentena.

“O governo estadual tinha me consultado para um outro protocolo. Primeiramente, abriria antes com 25% da lotação da sala. Depois, 50%. Por fim, 75%”, conta Sturm. “Agora é 35% e fim de papo. Não temos perspectivas. Os cinemas em São Paulo estão esquecidos nessa quarentena”.