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Após SXSW, festivais podem iniciar ‘era digital’

Parceria entre o SXSW com o Amazon Prime Video pode indicar o caminho para outros grandes (e pequenos) eventos em 2020

3 de abril de 2020 às 12:16
Matheus Mans

Na noite de quinta-feira (2), o festival South by Southwest (SXSW) firmou um acordo histórico. Depois do cancelamento do evento por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, a organização do festival decidiu exibir filmes inéditos e selecionadas diretamente no Amazon Prime Video.

Com data ainda não definida e exclusivo para os EUA, o streaming ganhará uma aba chamada “Prime Video presents the SXSW 2020 Film Festival Collection”. Assim, a ideia é que qualquer pessoa — com assinatura ou não — possa acessar o conteúdo e aproveitar a curadoria do famoso festival.

Questionada sobre a possibilidade de levar o catálogo para outros países, a assessoria do Prime Video no Brasil disse que só há informações sobre a disponibilidade nos EUA.

“Notícias emocionantes! Firmamos parceria com o SXSW para um evento de 10 dias para oferecer a vocês uma coleção de filmes da programação deste ano do festival. Será gratuito para todos os EUA (sim, dissemos todos), porque esses filmes merecem uma plateia”, disse o Amazon Prime Video.

Não há informações, ainda, sobre quais filmes estarão disponíveis no serviço de streaming. Afinal, Prime Video e SXSW terão que firmar acordos de licenciamento com as produtoras. Segundo as duas empresas, os que toparem colocar os longas nesse festival receberão “uma comissão” que não foi especificada.

“Desde que o evento foi cancelado pela cidade de Austin, nós estamos focados em uma forma de como ajudar os cineastas que estavam inscritos”, disse a diretora do SXSW, Janet Pierson, por meio de nota. “Ficamos maravilhados quando a Amazon ofereceu transmitir o festival online.”

Tendência após SXSW

Apesar do SXSW ser o primeiro grande festival estrangeiro a seguir por esse caminho, já há outros eventos independentes ou regionais que optaram pelo digital. No Brasil, o É Tudo Verdade se viu obrigado a adiar a exibição em cinemas para setembro. Enquanto isso, está marcando presença online.

Nas últimas semanas, o festival de documentários lançou 30 dos 83 filmes da competição em serviços on demand do Itaú Cultural, Spcine Play e Canal Brasil Play.

Filme sobre Zé do Caixão é atração online do É Tudo Verdade (Crédito: Divulgação/É Tudo Verdade)

Em Londres, o Festival de Cinema LGBTQI+ também se viu obrigado a cancelar o evento físico. Agora, lançou uma plataforma online para que as pessoas que compraram ingressos físicos, antes do cancelamento, possam ver os filmes do festival. O restante do público pode assistir por 15 dias.

Essas decisões, tanto de grandes festivais quanto de eventos mais restritos, devem dar um indicativo de como eventos de cinema vão se comportar ao longo dos próximos meses. Algumas previsões apontam que as salas devem reabrir apenas entre julho e agosto. Outros, apenas mais pro final do ano.

Visões

Festivais tradicionais no Brasil e mundo afora terão que repensar os seus formatos para acontecerem em 2020. É esperado, claro, que festivais tradicionais e mais restritos resistam. É o caso de Cannes, que adiou após muita especulação e, ainda assim, acredita que irá acontecer até julho.

O Festival de Sundance, que aconteceu com algumas poucas restrições em janeiro, já deu o tom desse embate. A diretora-executiva Keri Putnam falou de maneira crítica sobre a forma de os conteúdos hoje em dia serem “fornecidos por algoritmos”, numa referência indireta às plataformas.

“Quando se trata de mídias e narrativas, o público aparenta ter uma infinidade de escolhas. Mas, cada vez mais, o conteúdo é selecionado apenas por um punhado de entidades globais e fornecido por algoritmos desenvolvidos para manter o espectador assistindo”, concluindo.

Assim, fica evidente: apesar do digital ser o caminho mais óbvio, seguido por parte dos eventos cancelados, haverá muita resistência. Eventos tradicionais ainda veem o video on demand como concorrente, não como aliado. No entanto, neste ano, o streaming pode ser a solução para sobreviver em tempos de todos