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‘A Mulher Rei’ mostra o poder e a complexidade da mulher negra

Viola Davis lidera um exército de mulheres africanas no filme, que é inspirado em fatos

22 de setembro de 2022 11:16
- Atualizado em 23 de setembro de 2022 10:24

Viola Davis é praticamente uma força da natureza no cinema nos últimos anos, representando o poder da mulher – e, muito mais que isso, o poder da mulher negra. Nesta semana chega aos cinemas ‘A Mulher Rei’, produção estrelada pela atriz e um dos lançamentos mais aguardados do mês. E o filme faz jus à espera.

Para promover o longa, Davis veio ao Rio de Janeiro e passou pelos principais pontos turísticos da região que já foi capital do Brasil. Afinal, ‘A Mulher Rei’ tem uma ligação com a história brasileira: o reino retratado na produção fazia negócios com portugueses que colonizavam nosso país.

Durante entrevista coletiva para a imprensa brasileira, a atriz citou sobre essa ligação com o nosso país. “Nós sabemos que milhões de escravizados deixaram a África Ocidental, e a primeira parada deles foi o Brasil”, disse Viola Davis. “Nós somos parte de um todo. Um dos pontos centrais do filme é justamente essa profunda conexão e a contribuição do Brasil nesse sentido é imensa”.

A Mulher Rei mostra o poder e a complexidade da mulher negra
Viola Davis é Nanisca, a general da Agojie, em ‘A Mulher Rei’ (Crédito: Divulgação/Sony Pictures)

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O filme é baseado em fatos e nos apresenta as Agojie, conhecidas aqui também como Ahosi, o primeiro exército exclusivamente feminino que se tem registro no mundo. Podem ter existido outros? Claro que sim, especialmente na região da África e do Oriente Médio, mas as Agojie são as únicas com registros históricos.

Essas mulheres faziam parte da guarda real do Reino de Daomé até o final do século XIX. A narrativa parece familiar? Se você assistiu ao filme ‘Pantera Negra‘ (ou leu as HQs), deve se lembrar das Dora Milaje, guerreiras que protegem o reino de Wakanda. Elas foram inspiradas nas Agojie.

Importância de ‘A Mulher Rei’

O título do filme é tão grandioso quanto sua história. Não é uma rainha, é uma mulher rei – e esse significado pode fazer muito mais sentido nas próprias palavras da protagonista. “Essa mulher merece estar no topo. Não como uma parceira, não como uma segunda em comando. Mas uma líder. Nós, geralmente, somos secundárias. Mulheres, mulheres negras. Ver alguém como eu em um pôster com a palavra ‘rei’ significa algo inacreditavelmente poderoso”, disse Viola Davis.

A atriz, que é vencedora do Oscar (uma das únicas negras que já ganhou a estatueta como atriz), contou na coletiva sobre a importância de um produção que mostra a verdadeira mulher preta. As Agojie são destemidas, não tem medo de expressar suas ideias perante a sociedade e elas tem camadas, não são colocadas sob um holofote como heroínas perfeitas. A personagem de Davis, Nanisca, é o maior exemplo disso.

'A Mulher Rei' conta a história das guerreiras africanas Agojie (Créditos: Divulgação/Sony Pictures)
‘A Mulher Rei’ conta a história das guerreiras africanas Agojie (Crédito: Divulgação/Sony Pictures)

“Ao assistir a ‘A Mulher Rei’, você tem que se sentar para ver mulheres negras, fortes, de cabelo crespo como heroínas durante duas horas e meia. É a chance de nós sermos vistas. Nós não estamos nos filmes de grandes cineastas. Não somos vistas na vida, nem na cultura. Não somos vistas como valiosas”, disse Viola.

‘A Mulher Rei’ as coloca em primeiro plano, como deveria ser em qualquer produção. Um dos motivos do filme ressoar também é porque destoa do resto. Para alguns isso pode ser chocante, mas segundo Viola Davis é o que deveria ser o comum, já que estamos assistindo a uma recorte histórico de um cultura tão rica que é apagada há gerações. E esse “tão rica” faz parte do cotidiano deles, é novidade apenas para a sociedade branca.

“Ver personagens como as do nosso filme é algo muito importante. A arte imita a vida, então precisamos ver isso na arte. Não é mais aceitável ver como as pessoas nos veem. Eu tenho esse valor, me desculpem. Meryl Streep, Helen Mirren e Julianne Moore. Não me importa que eu não seja loira ou não use um número de roupa menor. Eu tenho valor e os filmes precisam refletir isso”, completou a atriz.

Escravidão

‘A Mulher Rei’ se passa em torno de 1800, época em que diversas regiões africanas vendiam seus conterrâneos para a Europa. Essas cenas tem uma carga emocional forte e é tida como incômodo pelas Agojie, especialmente Nanisca, e pelos habitantes do Reino de Daomé. O filme deixa bem claro que grande parte da riqueza da região se dá ao tráfico de escravos, mas que existem outras alternativas já que esse comércio é criminoso e desumano.

É neste cenário que entra o nosso país e o personagem brasileiro Malik, interpretado por Jordan Bolger. Na trama, ele é filho da uma africana, natural de Daomé, e de um português. Ele então é apresentado ao rei de Daomé, Ghezo (John Boyega), que quer parar de nutrir negociações com os portugueses e brasileiros que envolvam escravos.

O elenco é um dos grandes pontos fortes de 'A Mulher Rei' (Crédito: Divulgação/Sony Pictures)
O elenco é um dos grandes pontos fortes de ‘A Mulher Rei’ (Crédito: Divulgação/Sony Pictures)

As Agojie da vida real

Além de Viola Davis, outros destaques no elenco das guerreiras impetuosas são Lashana Lynch (‘007: Sem Tempo para Morrer‘) como Izogie, que é uma das melhores personagem do filme; a sul-africana Thuso Mbedu (‘The Underground Railroad’), que é interprete da Nawi; e também Sheila Atim (‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura‘) como Amenza.

A produção enaltece a beleza, diversidade e complexidade da mulher negra. Sem artifícios ou estereótipos. Esse é o cinema fazendo seu papel ao mostrar a vida como ela é.

Viola Davis ainda mencionou que para que esse filme seja a porta de entrada para mais longas sobre a cultura africana, é preciso que as pessoas assistam. não adianta achar bonito e preferir ver um filme de heróis brancos: o público ainda é quem define o que e quem está no cinema.

‘A Mulher Rei’ é uma produção daquelas impecáveis, que não te deixa sair da poltrona, seja pelas incríveis cenas de ação ou pela emoção. É um épico histórico sobre mulheres que deveriam ser mais reconhecidas – e não estamos falando apenas da Agojie.

O filme está em cartaz nos cinema brasileiros, para mais detalhes, incluindo como comprar ingressos, clique aqui.

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