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‘A Viagem de Pedro’ desconstrói a figura e o mito ao redor de D. Pedro I

Cauã Raymond e a diretora Laís Bodanzky falam sobre a experiência de mergulhar na história de D. Pedro I, descontruído a partir de um olhar contemporâneo

Matheus Mans   |  
31 de agosto de 2022 18:57
- Atualizado em 1 de setembro de 2022 17:56

Quem foi D. Pedro I? Imperador do Brasil, com certeza. Mas e além disso? Como era a pessoa D. Pedro? Como ele lidava com as pessoas, com seus medos, seus fantasmas, seus desejos? Essa é a busca de ‘A Viagem de Pedro‘, excelente filme brasileiro que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 1º. Dirigido por Laís Bodanzky (‘As Melhores Coisas do Mundo’), o longa-metragem fala sobre a partida de Pedro do Brasil e de volta para o reino de Portugal.

Por aqui, na Terra de Santa Cruz, o Brasil é independente depois de D. Pedro I dar o grito no Ipiranga. Lá na “terrinha”, enquanto isso, o irmão de Pedro tomou o trono de assalto. Agora, o ex-imperador precisa voltar para seu “berço” para tirar a coroa de Miguel, colocar a filha no comando do país europeu e, ao mesmo tempo, manejar a presença do filho, D. Pedro II, que ficou no Brasil para assumir a coroa. Um caos, que é contado de maneira poética por Laís Bodanzky.

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“Acho importante olhar para a nossa história. É preciso sempre olhar para trás, revisitar as nossas memórias, mas também sabendo quem é a fonte das nossas memórias”, diz a diretora. “Tinha o desejo de falar de um Brasil de tempos atrás, mas com um olhar contemporâneo. Acho sempre importante, já que a sociedade muda. No caso de D. Pedro I, a nossa memória escrita nas histórias oficiais é um ponto de vista de um herói cultuado. Temos que questionar essa apropriação da História de forma ufanista, já que a História oficial brasileira sempre foi escrita dessa forma”.

Dessa forma e com esse olhar, ‘A Viagem de Pedro’ questiona símbolos, ideias e memórias perpetuadas. Mais do que ser um filme sobre D. Pedro I, o longa-metragem questiona nossa História. É um filme para questionar as estátuas, as histórias e quem as narra.

“Quando aceitei o convite, veio um desafio de emprestar meu olhar como mulher, que tinha feito um trabalho anterior de discurso feminista claro, ‘Como Nossos Pais'”, diz Laís. “Olhamos para o passado com o olhar de hoje e mostramos que D. Pedro I era um homem tóxico. Hoje, com nosso olhar, podemos identificar isso”.

Cauã Reymond, o verdadeiro Pedro

Enquanto Laís Bodanzky trata de trazer seu olhar feminista para dentro da história da Independência, o ator Cauã Reymond é o grande responsável por mergulhar na persona de D. Pedro I. Ele, que também é produtor do filme, cria uma personalidade complexa para o personagem e encarna momentos marcantes para o cinema em 2022 — uma sequência em que ele fica desesperado com uma doença que atinge sua região íntima é a grande cena do ano.

“Sou dedicado ao audiovisual, independente de ser série, novela ou filme”, explica Cauã, sobre o seu currículo multifacetado. “O personagem fictício dá mais liberdade para imaginar e criar, seguindo o roteiro e o que a direção imagina. Mas, ao fazer um personagem que já existiu, é uma figura muito contraditória e retratada de formas bem diferentes. Colocamos as mãos em todos os livros que a gente conseguiu e o grande guia é o roteiro brilhante”.

É, assim, um Imperador descontruído. Que sofre de epilepsia, que precisa lidar com doenças venéreas, que tem problemas conjugais, que não se dá bem com o irmão.

“É muito diferente do quando interpretei D. Pedro I na escola, quando nem sabia que seria ator”, conta Cauã, relembrando de uma peça que fez na infância. “Ele era um herói, muito macho, em um cavalo, que era uma vassoura, que era na verdade um garanhão. É interessante trazer as camadas desse personagem, falando de masculinidade tóxica, de racismo estrutural, da ausência de feminismo”.

‘A Viagem de Pedro’ estreia nesta quinta-feira, 1º, nos cinemas. Se você quiser saber mais sobre o filme ou encontrar o link para comprar ingressos, clique aqui.

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