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‘Era Uma Vez Um Gênio’ é George Miller em estado puro: surpreende em forma e linguagem

Com Idris Elba e Tilda Swinton, filme fala sobre uma mulher solitária que encontra um gênio da lâmpada

Matheus Mans   |  
1 de setembro de 2022 17:51
- Atualizado em 2 de setembro de 2022 10:04

Ao pensar na figura do gênio da lâmpada, a memória vai quase que diretamente para ‘Aladdin‘. A clássica animação da Disney, que também ganhou uma versão em live-action, imortalizou essa criatura azul alegre, animada e divertida que realiza três desejos — primeiramente com trabalho de voz de Robin Williams e, depois, interpretado por Will Smith. Só que essa não é a representação mais fiel às narrativas que povoaram o imaginário, Agora, essa figura mitológica ganha uma representação inédita, mais fiel e contemporânea com ‘Era uma Vez um Gênio’, estreia desta quinta-feira, 1º.

Exclusivo nos cinemas, o longa-metragem assume a roupagem de uma fábula contemporânea para contar a história de Alithea (Tilda Swinton), uma mulher solitária que vive quase que unicamente em prol de sua profissão: o estudo das letras, dos personagens e das narrativas que atravessam a História. Só que, durante um congresso na Turquia, sua vida muda. Um novo amor? Um novo trabalho? Uma tragédia? Nada disso: sem querer, ela encontra um gênio (Idris Elba) que lhe concede três desejos, enquanto conversam sobre a vida, as memórias e suas “genialidades” ao longo da vida.

Tilda Swinton e Idris Elba estrela o longa-metragem dirigido por George Miller (Crédito: Divulgação/Paris Filmes)

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A partir daí, o cineasta George Miller (‘Mad Max: Estrada da Fúria‘, ‘Happy Feet: O Pinguim’), que assina o roteiro ao lado de Augusta Gore e em cima da história de A.S. Byatt, faz mágica. Como quem não quer nada, coloca o Gênio — que nada tem a ver com a criatura azul de Aladdin — para contar histórias. Uma releitura contemporânea e inteligente de ‘As Mil e uma Noites’, de Sherazade e suas narrativas, misturando elementos e imagens diversos e, assim, criando uma história que traz a fábula para um novo contexto. É Miller puro, surpreendendo em forma e linguagem.

Gênio, memória e romance

Logo de cara, principalmente por conta do material de divulgação, ‘Era Uma Vez Um Gênio’ dá a sensação de que o filme iria para um caminho mais introspectivo. Algo como ‘Deus da Carnificina’, onde tudo se passa em um único ambiente, apenas com conversas e reflexões sobre tempo, vida, história. Mas não é esse o caminho que Miller segue: ele abraça o fantástico em todos os níveis de conexão com a trama, fazendo com que o roteiro brinque a partir da perspectiva do que é um gênio. Afinal, o que ele fica fazendo dentro de uma garrafa? O que faz, o que já fez?

Não vou falar mais sobre isso para não estragar a experiência. Mas ‘Era Uma Vez um Gênio’ traz, ainda, alguns outros elementos que complementam mais o bom resultado do filme. A troca entre Swinton (‘Precisamos Falar Sobre Kevin‘) e Elba (‘Beasts of no Nation‘) transcende a tela, com uma química inusitada entre eles. Além disso, vale destacar que esse é o melhor trabalho de Elba, olhando para os últimos anos, ficando lado a lado apenas com ‘Vingança & Castigo‘.

‘Era Uma Vez um Gênio’ também tem uma direção de arte vigorosa, além de um figurino e uma maquiagem que chamam a atenção. Não arrisco dizer que chega ao Oscar nessas categorias, mas merecia pelo menos ser lembrado nas indicações. De resto, o final talvez seja o Calcanhar de Aquiles do filme, com conclusões sucessivas e uma didática que não tinha aparecido até ali. Mas tudo bem: é um filme surpreendente, que escapa da mesmice, e acerta na originalidade. É o que o cinema mais precisa hoje em dia: frescor de ideias, ousadia e busca em surpreender.

‘Era Uma Vez Um Gênio’ estreia nesta quinta-feira, 1º, nos cinemas. Se você quiser saber mais sobre o filme ou encontrar o link para comprar ingressos, clique aqui.

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