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‘Terrifier 2’ abraça o slasher de vez em filme que não economiza na violência

Com personagem Sienna, Art the Clown ganha mais propósito e ‘Terrifier 2’ consegue driblar seus principais erros

Matheus Mans   |  
28 de dezembro de 2022 10:00

Terrifier‘, filme de terror de baixo orçamento lançado em 2016, nunca se assume como slasher. Ainda que tenha certas referências de ‘Halloween’, o longa-metragem é mais uma exibição em longa-metragem desse palhaço assassino que já era, há alguns anos, trabalhado pelo diretor Damien Leone em curtas. É uma sucessão de mortes, todas elas violentas e bem gráficas, sem um contraponto ao bizarro Art the Clown. Mas, tudo muda agora com ‘Terrifier 2‘.

Estreia dos cinemas desta quinta-feira, 29, o longa-metragem mostra Leone buscando se provar como realizador. Tudo aqui é maior: o tempo de duração (que salta de 1h26 para 2h18), a violência empregada nas mortes, a força psicopata do palhaço, a quantidade de mortes. É uma sina que muitos realizadores de primeira viagem acabam derrapando quando fazem uma sequência inesperada de um filme de terror. Não buscam melhorar a história, mas engrandecê-la.

Cena de Terrifier 2 com Art the Clown
Art the Clown está ainda mais violento, sanguinário e bizarro em ‘Terrifier 2’ (Crédito: Imagem Filmes)

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Com isso, muito da essência simples e funcional de ‘Terrifier’ se perde neste segundo capítulo. Os sucessivos assassinatos de Art the Clown chocam no início, mas logo se tornam tão corriqueiros que não impressionam tanto assim — a morte de uma garota ali na metade, com o palhaço jogando até mesmo sal em cortes imensos, é a que mais causa desconforto. Depois disso, a barra está tão alta que algumas ações do vilão chegam a passar batidas.

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Afinal, é natural que o espectador vá criando uma “casca”. Algo pode te chocar uma primeira vez. Mas conforme você vai fazendo isso repetidas vezes, o chocante se torna rotineiro. No final do filme, ver mortes não causa sequer emoção.

Além disso, mesmo em tempos de filmes com mais de três horas, como ‘Avatar: O Caminho da Água’, essas 2h18 de ‘Terrifier 2’ são excessivas. Não há muito a ser contado com a trajetória de Art the Clown, que sai matando por aí durante a noite de Halloween até encontrar Sienna (Lauren LaVera), uma jovem que fará de tudo para se defender e proteger sua família dessa ameaça sobrenatural. Sem dúvida alguma, 1h30 de filme resolveria bem a história.

Ainda assim, ‘Terrifier 2’ consegue segurar a atenção

Apesar desses dois erros fundamentais, ‘Terrifier 2’ não é daqueles filmes que perdem nossa atenção com menos de meia hora de projeção. O longa-metragem segura a audiência. Como? Simples: enquanto o outro filme apenas mostra Art the Clown andando de lá pra cá, matando pessoas das formas mais absurdas e inacreditáveis possíveis, a sequência traça objetivos, dilemas e desafios para o palhaço assassino. Ele quer matar alguém, mas não consegue facilmente.

Embate entre Sienna e Art finalmente coloca a franquia em um outro patamar (Crédito: Imagem Filmes)

Essa pessoa é, justamente, Sienna. Ela é, incontestavelmente, a alma do filme. Ainda que possa não ser tão querida, estranhamente, como Art the Clown, a nova protagonista cria o contraponto necessário para fazer com que a trama ande. Os personagens se enfrentam, mesmo que não fisicamente, colocando a história pra frente. Você fica empolgado em saber que há, enfim, alguém a altura de Art. É o mesmo acerto de Laurie (Jamie Lee Curtis) e Michael Myers.

É, em essência, uma mistura divertida, violenta e inusitada de ‘It: A Coisa’, ‘Halloween’ e ‘Jogos Mortais’. Com elementos de cada um deles, encontramos um longa-metragem que agradar vários públicos do cinema de horror.

Fora, é claro, o show à parte de David Howard Thornton. O ator, que interpreta Art the Clown, apresenta maneirismos em sua atuação que deixam tudo ainda mais macabro. Os sorrisos estáticos, os gestos típicos de palhaços. Tudo isso é parte da composição do ator, que sabe interpretar um vilão de slasher fora do comum, bem diferente do que estamos acostumados, e que dá medo — curiosamente, principalmente quando não há cenas de violência extrema no filme.

Não dá pra saber, é claro, se a franquia terá fôlego de verdade para mais um filme, como o diretor já confirmou. Fica a torcida para que o cineasta saiba manter a bizarrice ao redor de Art enquanto explora ainda mais o mundo do slasher. Com isso, e os bons resultados de bilheteria de ‘Terrifier 2’, Art the Clown vai aos poucos entrando em um curioso panteão dessas assombrações que dão medo apenas com a sugestão de sua imagem e sem qualquer palavra dita.

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