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‘Meu Álbum de Amores’: “Quem você ama não é extensão de você”, diz diretor

Filme, que estreia nesta semana nos cinemas, reflete sobre as desilusões amorosas e a responsabilidade afetiva

Matheus Mans   |  
18 de agosto de 2022 14:30
- Atualizado em 19 de agosto de 2022 12:06

Júlio (Gabriel Leone), protagonista de ‘Meu Álbum de Amores‘, está na fossa. O rapaz acabou de ser dispensado pela namorada e simplesmente não consegue compreender. Como ela não quer mais manter um relacionamento? O que causou essa ruptura inesperada? É no meio desses questionamentos que ele descobre uma informação chocante: seu pai não é exatamente quem ele pensava sim, mas um outro homem. Um cantor de sucesso, popular, de décadas atrás.

A partir daí, o diretor Rafael Gomes (‘45 Dias Sem Você‘, ‘Música para Morrer de Amor‘) traz um mosaico de temas. Fala não só sobre a desilusão amorosa do personagem de Leone (‘Eduardo e Mônica’), como também reconstrói os passos do falecido pai biológico de Júlio, que busca informações andando por aí com o meio-irmão que ele nunca conviveu antes. Isso sem falar dos números musicais, inspirados no brega dos anos 1970, repletos de cores vibrantes e brilhos.

Personagem de Leone tenta compreender os caminhos do amor (Crédito: Divulgação/Pandora Filmes)

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Essa é a trama geral de ‘Meu Álbum de Amores’, estreia dos cinemas nesta quinta-feira, 18 — e que ainda deve lançar as canções originais de Arnaldo Antunes e Odair José em breve. “O filme nasce a partir da minha vontade de fazer algo com músicas originais, compostas especialmente para essa história”, conta Rafael ao Filmelier. “Não queria que as músicas fossem de fundo pra contexto, piada. Queria que fossem elementos de dramaturgia com coisas da história”.

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Dessa forma, elas se tornam o veículo entre Júlio e seu pai, já morto. Afinal, a música do pai se torna o único ponto de contato entre ele e o passado. Não há outra maneira de acessar os sentimentos paternos. Até mesmo conversas que tem com antigos conhecidos do cantor não ajudam como as músicas. “Nesse sentido, é um paralelismo entre a pessoa que descobre que tem um pai com quem nunca conviveu e o faz por meio da obra que ele deixou, as músicas”, diz.

Os amores de ‘Meu Álbum de Amores’

Nessa jornada dupla, entre a missão de conhecer mais o pai e entender o término inesperado, Leone acaba mergulhado em uma trama com um significado que transcende essa história: responsabilidade afetiva. Tema que está em voga nas redes sociais, assim como nas sessões de terapia, a responsabilidade com o afeto do outro geralmente é relacionada com laços amorosos e sexuais. Mas vai além. Pode se tratar do relacionamento com pais, irmãos, filhos…

“É um tema importantíssimo”, crava o ator Felipe Frazão, que interpreta esse meio-irmão de Júlio, em entrevista ao Filmelier. “A responsabilidade afetiva se estende para outras relações, indo além do que a gente pensa logo de cara”.

Além disso, como fez em seus ‘45 Dias Sem Você‘ e ‘Música para Morrer de Amor‘, Rafael volta a falar sobre fins de amores e a maneira de lidar com isso, escapando daquela busca inquisitiva. “Tem a questão de quebrar, de martelar a ideia de que o ser amado é o depositário do seu amor e, em alguma medida, está sujeito ao seu amor. Ele diz que ela é a mulher da vida dele, mas ela responde que quer ser a mulher da sua própria vida. Isso resume a questão da responsabilidade afetiva. É também escuta afetiva, é o olhar afetivo. A pessoa que você ama não é extensão de você”.

‘Meu Álbum de Amores’ está nos cinemas. Se você quiser saber mais sobre o filme ou encontrar o link para comprar ingressos, clique aqui.

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