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Trabalhar com Vincent Lindon foi “uma experiência muito intensa”, diz diretor de ‘Meu (Querido) Primo’

Em entrevista exclusiva, o cineasta Jan Kounen conta como foi dirigir a primeira comédia da carreira

3 de agosto de 2022 18:19
- Atualizado em 4 de agosto de 2022 15:19

O cinema francês é popularmente conhecido por suas comédias, que tratam dos mais diversos temas de uma forma leve. Exatamente nessa linha, tivemos na última semana o lançamento de ‘Meu (Querido) Primo‘, que narra a dinâmica complicada de dois primos que eram muito próximos e se afastaram na vida adulta.

O filme – que é estrelado por Vincent Lindon, vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Cannes por seu papel em ‘O Valor de um Homem‘; e François Damiens, de ‘Um Brinde ao Sucesso‘ – já está disponível para alugar ou comprar no video on demand brasileiro.

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A produção tem a direção de Jan Kounen, que encarou uma comédia pela primeira vez na carreira – uma experiência que ele compartilha em entrevista exclusiva ao Filmelier.

Vincent Lindon e François Damiens estrelam a comédia francesa Meu (Querido) Primo
Vincent Lindon e François Damiens estrelam a comédia francesa ‘Meu (Querido) Primo’ (Crédito: Divulgação/Synapse)

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“Foi uma aventura embarcar neste projeto. Eu estava fora da minha zona de conforto. Quando assisti ao começo do filme, eu não me vi ali, estava assistindo a uma comédia clássica francesa. Mas assim que começa a jornada do longa, vem a parte mais lúdica, dos sonhos, eu comecei a reconhecer o meu toque. Eu adoro o filme e foi muito intenso de fazer, eu aprendi muito sobre atuação e comédia”, contou o cineasta holandês.

Apesar de ser sua primeira comédia, Kounen compartilhou que seus projetos anteriores foram relevantes para a realização de ‘Meu (Querido) Primo’.

“Há experiências de outros trabalhos em todo novo filme que você faz. Como realizador, eu tenho esse pensamento de que cada produção é diferente e tem um pouco de nossas vidas, independente do gênero. Você aprende algumas coisas, comete alguns erros. Eu aprendi a fazer documentários enquanto filmava ficções, pois quando você precisa criar uma realidade há muita coisa envolvida para ficar crível”.

“Há experiências de
outros trabalhos em todo
novo filme que você faz”

A maior inspiração dele foram as comédias clássicas francesas, com os diretores Philippe de Broca, Yves Robert e Edouard Molinaro fazendo parte de suas referências. Falando nisso, ‘Meu (Querido) Primo’ tem uma cena envolvendo pássaros e um helicóptero – difícil não associar a ‘Os Pássaros’, de Alfred Hitchcock, ainda que as duas produções não tenham similaridades.

“Eu sequer pensei no Hitchcock quando fiz essa cena, mas ele, de fato, fez a melhor cena com pássaros que existe em um filme. Mas como minha intenção foi diferente, não pode ser uma referência. Enquanto Hitchcock está construindo um suspense, em ‘Meu Primo’ é o oposto”, explicou Kounen.

O filme foca na conturbada relação entre dois primos que se desgastou após um acidente (Crédito: Divulgação/Synapse)
O filme foca na conturbada relação entre dois primos que se desgastou após um acidente (Crédito: Divulgação/Synapse)

Na cena em questão, o personagem de François Damiens está tentando alertar que o piloto de um helicóptero colida em revoada, temendo pela morte do pássaros. Inclusive, o diretor deixou bem claro que nenhum animal foi ferido durante as filmagens.

Citando Damiens, o ator dá vida a um homem com transtorno de personalidade borderline, o que faz com que ele seja instável e hipersensível em suas relações com outras pessoas. O filme pincela isso, talvez, não da melhor forma, pois há muito sarcasmo envolvendo o tema, que é sensível. Mas, de certa forma, há certa leveza na abordagem.

“Eu fiz o personagem de Matei Dussarps ser um pouco mais místico, intuitivo, sensível, mas, ao mesmo tempo, perdido. Nos primeiros roteiros, ele era só um cara bobo e eu achei que ele poderia ser mais que isso”, explicou o diretor.

O trabalho com Vincent Lindon

Quando ao outro astro do filme, Vincent Lindon, Kounen disse que ele realmente participou de todos os detalhes do projeto. “Foi muito envolvente, de uma forma positiva, eu ouvia muito e ele sempre trazia ideias. Um dia eu estava andando com um skate elétrico no set e ele disse que deveríamos fazer uma cena com ele. Ele é um skatista e nós fizemos a cena, que remete a ideia da infância. Ele é um ótimo profissional, então, foi muito intenso”.

Os dois atores principais tem linhas de atuação bem distintas, então esse foi o maior desafio do cineasta: encontrar o equilíbrio.

Se tratando do roteiro, Jan Kounen optou por trazer um outro lado mais lírico à história. “Basicamente, o que fiz foi inserir os sonhos de um dos protagonistas. Esse era o tema que eu mais gostava: pressionar a dimensão emocional. Claro que é uma comédia, mas há espaço para isso também. Afinal, o filme fala das diferenças entre duas pessoas e como tudo pode ficar melhor se elas conseguirem um equilíbrio para trabalharem juntas”.

Com mais de três décadas na área, o cineasta contou que ficou afastado dos longas-metragens ficcionais por mais de dez anos. Seu trabalho anterior havia sido ‘Coco Chanel & Igor Stravinsky’, de 2009, e, nesse meio tempo, ele fez curtas, séries e documentários.

“O que fiz de mais diferente foi adentrar no mundo dos VRs. Algumas pessoas me pediram para fazer filmes de realidade virtual e fiquei maravilhado com essa tecnologia. Eu fiz três filmes em VR. Assim que coloquei os óculos em minha cabeça, eu visualizei o [curta] ‘Ayahuasca: Kosmik Journey’ e outros universos que já criei visualmente, como no filme ‘Blueberry’. Foi um período muito criativo”, contou. Ele pontuou que esses outros projetos deram “mais liberdade para trabalhar artisticamente”.

‘Meu (Querido) Primo’ está disponível nas versões dublada e legendada para compra e aluguel nas plataformas de streaming. Quer encontrar o link para assistir online? Clique aqui.

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