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Morre Christopher Plummer, de ‘A Noviça Rebelde’ e ‘Toda Forma de Amor’, aos 91 anos

O lendário ator canadense teve uma carreira de sete décadas à frente das câmeras e acumulou diversos sucessos

5 de fevereiro de 2021 15:13

Morreu, aos 91 anos, o lendário ator Christopher Plummer. A informação foi confirmada pela família de Plummer ao Deadline. O veículo ainda afirma que o canadense morreu “pacificamente” em sua casa em Connecticut ao lado da esposa, Elaine Taylor.

Foram sete décadas à frente das câmeras, com papeis memoráveis como o do capitão Von Trapp de ‘A Noviça Rebelde‘, ou ainda o Hal de ‘Toda Forma de Amor’, que lhe rendeu um Oscar. Entre os sucessos mais recentes estão ‘Todo o Dinheiro do Mundo‘, que rendeu mais uma indicação à estatueta da Academia, e ‘Entre Facas e Segredos‘.

“Chris era um homem extraordinário, que profundamente amava e respeitava a sua profissão de um jeito antigo, humor depreciativo e um jeito musical ao falar”, disse Lou Pitt, amigo e empresário do ator. “Ele era um tesouro nacional, que apreciava profundamente suas raízes canadenses. Por meio de sua arte e humanidade, ele tocou todos os nossos corações e sua vida lendária durará por todas as gerações vindouras. Ele estará para sempre conosco.”

Vida e obra de Christopher Plummer

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Nascido em 13 de dezembro de 1929 em Toronto, Canadá, Plummer viu seus pais se separarem quando ainda era bebê – e foi morar com a família da mãe nos arredores da cidade. Por isso, o canadense era fluente tanto em inglês quanto francês, por Quebec ser uma região francófona.

Por isso, Christopher começou a carreira no rádio e no teatro atuando nas duas línguas, ainda na segunda metade dos anos 1940. Na década seguinte, estreou na televisão de seu país natal. Em 1953, atuou pela primeira vez na Broadway, em Nova York, grande centro teatral da América do Norte. Estreou na TV dos EUA na mesma época.

Já acumulando papéis como o de Henrique 5, na peça homônima, e em ‘Muito Barulho por Nada’, Plummer fez a sua estreia no cinema em 1958 no filme ‘Quando o Espetáculo Termina’, de Sidney Lumet. No mesmo foi indicado pela primeira vez ao Emmy, o Oscar da televisão, pelo drama ‘Little Moon of Alban’.

Christopher Plummer em cena de ‘A Noviça Rebelde’ (Foto: divulgação / 20th Century Studios)

O segundo longa-metragem de cinema viria apenas em 1964, ‘A Queda do Império Romano’. Porém, a consagração na tela grande viria a seguir, com ‘A Noviça Rebelde’. O musical do diretor Robert Wise se transformou em um clássico da sétima arte, batendo o recorde de bilheteria de ‘E o Vento Levou…’ e colocando Plummer de vez no imaginário popular das gerações que se seguiriam.

Curiosamente, o canadense nunca escondeu que não gostava de lembrar daquele filme. Não aceitava perguntas sobre a produção, a qual chegou a classificar de “tão horrível quanto sentimental”. Para ele, a única parte boa foi contracenar com Julie Andrews.

A partir daí, o ator seguiu com diversos papéis no cinema e no teatro, já com o nome consolidado entre os atores que levavam grandes públicos aos cinemas. Entre os destaques dessa época na tela grande estão ‘Waterloo’, ‘O Homem Que Queria Ser Rei’ e ‘Édipo Rei: A Tragédia de um Rei’. Entre as comédias, apareceu em ‘O Retorno da Pantera Cor-de-Rosa, ao lado de Peter Sellers.

No palco, estrelou a peça ‘Cyrano’, baseada na obra ‘Cyrano de Bergerac’, pela qual venceu o Tony – o Oscar do teatro.

Já no começo dos anos 1990, Plummer levou todo a sua bagagem de filmes e peças shakespearianas para a ficção-científica: ele viveu, irreconhecível pela pesada maquiagem, o chanceler Chang em ‘Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida‘. No mesmo período atuou em ‘Malcolm X’, biografia do ativista dirigida por Spike Lee.

A carreira no cinema voltaria a ficar movimentada nos anos 2000, como a minissérie ‘O Julgamento de Nuremberg’, que venceu o Emmy, e no filme ‘Um Mente Brilhante‘, além de também participar de ‘O Informante’.

No entanto, o reconhecimento em forma de prêmio veio apenas em 2012, quando venceu o Oscar por ‘Toda Forma de Amor‘. Na oportunidade, Plummer se tornou o mais velho na história a competir por um prêmio de atuação pela Academia.

Nos últimos anos, foi escalado às pressas para o papel de J. Paul Getty após um escândalo tirar Kevin Spacey da produção. O lançamento do filme, que já estava completo, foi adiado, com as cenas com Plummer sendo gravadas em um tempo curto. Valeu a pena: o longa rendeu mais uma indicação ao Oscar para o ator.

Plummer em ‘Todo o Dinheiro do Mundo’ (Foto: divulgação / Diamond Films)

O seu último trabalho de destaque foi ‘Entre Facas e Segredos’, no qual é o centro de um interessante mistério. Há apenas um filme inédito com Plummer: ‘Heroes of Golden Masks’, no qual faria um trabalho de voz. Ainda não se sabe se ele chegou a concluir a sua parte na produção.

Com sete décadas no rádio, teatro, cinema e TV, Christopher Plummer marcou a vida de gerações de fãs. Por isso, ao escrever o obituário de um ator tão ligado a Shakespeare, me sinto obrigado a citar o dramaturgo. Afinal, pouco após o famoso “ser ou não sei, eis a questão”, o britânico escreveu o seguinte:

“Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte – terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou – que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.”

Boa viagem rumo à terra desconhecida, Plummer. Que ela não seja de males ignorados, mas sim de alegrias (incluindo personagens e histórias) a se descobrir.

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