Jean-Luc Godard, cineasta franco-suíço, morreu nesta terça-feira, 13, aos 91 anos. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, a informação foi confirmada pela mulher do diretor, Anne-Marie Mieville.
“Jean-Luc Godard morreu pacificamente em casa, cercado por entes queridos”, afirmava o comunicado enviado à imprensa francesa. De acordo com o jornal fracês Libération, o cineasta morreu após um suicídio assistido.
O diretor, nascido em Paris em 1930, cresceu e se educou em Nyon, às margens do lago Genebra, na Suíça. Godard é um dos precursores de um dos movimentos mais importantes do cinema mundial, a Nouvelle Vague (“nova onda”, em tradução literal) – que, criada na França no fim dos anos 1950, foi disruptiva ao levar uma nova estética para o audiovisual, trazendo paradigmas diferentes que influenciariam produções cinematográficas do mundo inteiro.
Com uma filmografia radical e politicamente ativa, Jean-Luc Godard foi um dos produtores mais vitais e provocadores no cenário audiovisual mundial. Ele reescreveu regras de como lidar com a filmagem propriamente dita, o som e a narrativa dos filmes: cortes bruscos, câmera em mãos e diálogos existenciais são algumas das características que definem a estética da Nouvelle Vague. O cineasta frequentou a Universidade de Sorbonne, onde estudou etnologia e se interessou, cada vez mais, pela cena cultural francesa, que florescia progressivamente após a Segunda Guerra Mundial. Ficou amigo de outros grandes diretores como François Truffaut (‘Jules e Jim: Uma Mulher para Dois’), Jacques Rivette (‘A Bela Intrigante’) e Eric Rohmer (‘O Raio Verde’). Jean-Luc Godard, ao longo da carreira, soube também ser controverso, como quando seu longa ‘Je Vous Salue, Marie’ (1985) foi rejeitado pelo Papa João Paulo II — lembrando que o filme chegou até a ser proibido no Brasil. Ficou conhecido também por ‘Viver a Vida’ (1962), ‘O Desprezo’ (1963) e ‘O Demônio das Onze Horas’ (1965). Sempre fugindo dos padrões de Hollywood, Godard se tornou um dos mais respeitados e polêmicos cineastas, chegando, em certo momento, a viver o seu “período revolucionário”, se envolvendo nas manifestações de maio de 1968 e interrompendo o Festival de Cannes daquele ano – em uma história que, depois, seria contada no filme ‘O Formidável‘. Assista, a seguir, um relato especial do Filmelier sobre o filme e esse momento da carreira de Godard: Mais para o final de sua carreira, Jean-Luc Godard entrou em experimentações da linguagem do próprio cinema, principalmente em longas como ‘Adeus à Linguagem’, que venceu o prêmio do júri no Festival de Cannes em 2014, e ‘Imagem e Palavra’, que concorreu a Palma de Ouro em 2018. Com uma vida tão longeva e produtiva no meio artístico, sua filmografia conta com vários Ursos em Berlim e Leões em Veneza, além de ter recebido homenagens pelo conjunto de sua obra em premiações como o Oscar, o César e em Cannes. Em 2021, aos 90 anos, Jean-Luc Godard se aposentou e se despediu de sua cadeira de diretor. “Jean-Luc Godard, o cineasta mais iconoclasta da nova onda francesa, inventou uma arte resolutamente moderna e intensamente livre. Estamos perdendo um tesouro nacional, um olhar de gênio”, disse Emmanuel Macron, presidente da França, no Twitter.