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Memória, afeto e ‘Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem’

Natara Ney, a diretora do documentário, fala sobre os bastidores do filme e a importância do tema em sua vida

Matheus Mans   |  
9 de junho de 2022 13:01
- Atualizado em 10 de junho de 2022 13:00

Natara Ney estava andando numa feirinha de antiguidades no Rio, em busca de material para o filme ‘O Vendedor de Passados’, até que se deparou com um punhado de cartas, trocadas há muitos anos entre um casal apaixonado. Dez anos depois, Natara está lançando ‘Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem’, filme que busca a origem dessas missivas.

Lançamento nos cinemas desta quinta-feira, 9, o longa-metragem não só mostra Natara indo atrás do casal que escrevia as cartas, como vai falando de um Brasil que não existe mais – ou que está, simplesmente, soterrado. Um País recheado de amor, afeto e memória. Afinal, a diretora sai por aí conversando, entendendo, dialogando e, acima de tudo, trocando afeto.

Cartas são apenas o ponto de partida para falar de amor, afeto e memória em Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem
Cartas são apenas o ponto de partida para falar de amor, afeto e memória (Crédito: Divulgação/Embaúba)

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Tudo isso por conta de sua experiência marcante com as cartas. “Comecei a conviver com aquela pessoa, a saber do cotidiano íntimo, do disco que ele mandou, da chuva que bateu na porta, que ela ficou doente, do irmão”, diz ao Filmelier. “Era uma intimidade imensa que ela partilhou comigo. Pensei em vários caminhos para aquelas cartas. O mais óbvio seria documentar o trajeto que imaginava que poderia me levar àquela história”.

Natara Ney, a memória e a mulher preta

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Apesar de ser uma história de busca, em que a cineasta tenta encontrar a origem daquelas cartas, ‘Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem’ tem muito da própria cineasta dentro do filme. Ela deixa clara a importância que aquela história teve em sua vida, com um impacto e uma clareza sobre as diferenças de como esse amor existe e persiste até hoje.

No entanto, segundo ela, é algo muito mais profundo. “Falar de memória é, historicamente, fundamental para mim, que sou uma mulher preta”, diz. “A memória do povo preto é frequentemente apagada. Até outro dia colocavam Machado de Assis como alguém branco. Por isso, é importante saber de onde nós viemos, para sabermos projetar um futuro melhor, com pessoas que construíram o passado do país sejam resgatadas e exaltadas”.

Além da memória, Natara chama a atenção para a importância de falar sobre afeto. “É importante por parecer que só podemos falar sobre militância. Também podemos dar amor e falar sobre amor. Precisamos ter ilhas de afeto nos tempos de hoje”, diz. “Não posso deixar que o sistema que tá aí me desumanize. É para lembrar que podemos praticar o afeto”.

Não à toa, Natara conta que deve continuar navegando pelo tema em um futuro próximo: está começando a desenvolver a ideia de um filme, ‘Miudinho’, que fala sobre esse samba que dá o nome ao longa-metragem, mas também sobre o amor de duas mulheres na casa dos 50 anos. “Hoje, eu posso dizer que estou resistindo falando de amor”, conclui a diretora.

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