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Com ‘O Peso do Talento’, Nicolas Cage ganha o status de astro cult do cinema

Ator, que nos últimos anos esteve projetos cada vez mais duvidosos, enfim encontra seu novo espaço

Matheus Mans   |  
10 de maio de 2022 16:19
- Atualizado em 11 de maio de 2022 15:39

Uma das coisas mais difíceis é dar o salto do underground ao cult. É uma virada de chavinha complicada, que exige bom planejamento de carreira e um projeto de marketing ambicioso, além de uma base de fãs sólida. E é justamente por esse processo que está passando o ator Nicolas Cage com ‘O Peso do Talento’, filme que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 12.

Dirigido por Tom Gormican (‘Namoro ou Liberdade’), que também assina o roteiro ao lado de Kevin Etten, o longa-metragem conta a história do próprio Cage vivendo uma fase complicada da carreira após não conseguir um papel. Desiludido, aceita a sugestão do empresário (Neil Patrick Harris) para aceitar o convite de um espanhol (Pedro Pascal) que quer Nicolas Cage em seu aniversário. A partir daí, começam as desventura desse ator.

Nicolas Cage vira a chavinha de sua carreira com ‘O Peso do Talento’ (Crédito: Divulgação/Paris Filmes)

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É um filme essencialmente de comédia, que brinca com esse Nicolas Cage tendo que se virar nos 30 durante essa viagem para a Espanha. Gormican, além do humor, insere uma quantidade considerável de ação dentro dessa história para amplificar as possibilidades da trama — sem isso, o filme seria uma comédia de uma piada só. É, assim, um longa-metragem divertido.

Nicolas Cage, o astro cult

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E como o filme ajuda nessa construção de uma celebração cult ao redor de Nicolas Cage? Simples: não apenas fazendo graça com a situação do ator, que não consegue grandes papéis, mas homenageando seu legado, história e trabalho. É como se fosse um revisionismo bem humorado, com o espectador servindo como motor para essa visão ousada e criativa.

Coração Selvagem’, ‘A Rocha’, ‘A Outra Face’, ‘60 Segundos’, ‘Arizona Nunca Mais’, ‘O Guarda-Costas e a Primeira Dama’… Todos esses bons filmes são citados ou referenciados em algum momento de ‘O Peso do Talento’, que joga luz nessa jornada de Nicolas Cage através dos anos e que, na última década, acabou sendo soterrada por piadas com o “novo cinema de Cage”.

Peça fundamental para isso é o personagem de Pedro Pascal (‘The Mandalorian’). Fã obcecado por Nicolas Cage, que sonha em ter um roteiro escrito por ele sendo interpretado nos cinemas pelo ator americano, ele quebra o tabu e mostra como é bom (e deveras divertido) gostar de Nicolas Cage. Há inconsistências em seu trabalho, é claro, mas isso faz parte.

O fato é que Nicolas Cage conseguiu construir uma carreira com fãs e bons momentos, transbordando em um momento atual em que ele começa a aceitar projetos cada vez mais ousados. É a inusitada ficção científica ‘A Cor que Caiu do Espaço’, o estranho e divertido ‘Willy’s Wonderland’, o potente ‘Pig: A Vingança’ ou o celebrado e cultuado ‘Mandy’. Agora, todos eles, em conjunto, fazem parte de uma celebração maior do que é ser Nic Cage.

E enfim, o filme é bom?

Tom Gormican mostra, desde o começo, que tem dois objetivos bem claros com ‘O Peso do Talento’: fazer humor com essa situação absurda entre Nic Cage e seu fã máximo, assim como homenagear o ator. Para isso, ele enche a trama com pequenos easter eggs e referências sobre o trabalho do americano, indo desde uma conversa entre Nic com o personagem de ‘Coração Selvagem’ e chegando até objetos de cena e diálogos marcantes.

É uma homenagem definitiva ao astro, que vê sua carreira ser revisitada e ressignificada ali na frente de seus olhos. Trata-se da virada de chavinha definitiva do ator, que deixa de ser conhecido por seu trabalho duvidoso e passa de vez a ser cult. Se ele souber aproveitar bem essa oportunidade (lembre-se que o aguardado ‘Renfield’ vem vindo por aí!), é bem capaz que o ator volte para a A-List de Hollywood, aparecendo novamente nos grandes estúdios.

O humor, como dito, se segura nessa única piada durante todo o filme — é como se The Dude ficasse em busca do tapete durante toda a história de ‘O Grande Lebowski’. Funciona até certo ponto. Com isso, temos um início extremamente promissor, muito engraçado e com algumas sacadas realmente espirituosas. Aos poucos vai perdendo a força, com um meio inconsistente (apesar da cena das drogas) e um final que perde a força.

Pedro Pascal é peça importante na jornada de Nicolas Cage — o personagem (Crédito: Divulgação/Paris Filmes)

O terceiro ato de ‘O Peso do Talento’, enquanto isso, se transforma totalmente — há muito mais ação, tiroteio e investigações do que humor propriamente dito. Gormican muda demais o tom do filme, de uma hora para a outra, justamente por conta dessa piada solitária e que nunca avança. Fica uma sensação estranha, de que o filme é um tanto quanto desconjuntado, sem conseguir se manter nas ideias iniciais. 

Ainda assim, ‘O Peso do Talento’ é uma boa experiência. Divertido, ousado, disruptivo. Coloca Nicolas Cage em outro nível, mostrando como está transformando sua imagem aos poucos — apenas um ator consciente disso aceitaria esse papel.

No final, dá para se emocionar à beça com o ator e a história e, de quebra, não ter vergonha de falar: sou fã de Nicolas Cage.

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