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Netflix mostra o pior das pessoas em ‘O Assassino da Minha Filha’ e ‘A Garota da Foto’

Durante duas semanas seguidas, Netflix conta histórias de crimes contra crianças, praticados por monstros que têm suas histórias reveladas nos documentários

Matheus Mans   |  
12 de julho de 2022 17:26
- Atualizado em 13 de julho de 2022 19:19

Parece que a Netflix quer tirar um pouco da crença que temos na bondade que ainda existe na humanidade. Pela segunda semana consecutiva, o serviço de streaming traz filmes que tocam no mais abjeto, degradante e perturbador que há na sociedade: violência contra crianças. Na última semana, o documentário ‘A Garota da Foto‘ trouxe uma das histórias mais chocantes contadas em um filme do serviço. Agora, nesta terça-feira, a Netflix traz outro documentário: a produção francesa ‘O Assassino da Minha Filha’, mais uma aposta do streaming no chamado cinema “true crime”.

É, afinal, uma vertente que tem dado muito certo nos serviços de streaming. Ainda que sejam documentários bem tradicionais, esses filmes falam sobre casos sombrios que envolvem violência, crimes reais e, principalmente, conclusões inesperadas. Antes dessa dupla, a Netflix já havia feito barulho com produções como ‘Sequestrada à Luz do Dia’, ‘Don’t Fuck With Cats’, ‘Tiger King’ e afins. São filmes e séries que abrem uma fresta nesse espaço perturbador da humanidade. Ainda estamos distantes, protegidos por uma parede. Mas podemos olhar o que acontece por lá.

Netflix traz filmes sobre crimes contra crianças durante duas semanas seguidas (Crédito: Divulgação/Netflix)

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Nessas duas novas produções, enquanto isso, a Netflix focou em trazer histórias reais (uma nos Estados Unidos, outra na Europa) que mostram predadores de crianças. São, assim, filmes dificílimos de assistir, muito por conta da revolta quase anestésica que se abate sobre a audiência. Cada um com suas particularidades, os longas sabem qual é a melhor forma de conduzir a narrativa, apresentando uma linguagem simples, coerente e ordenada, para que o público não perca nada e, é claro, possa compreender melhor como aqueles crimes aconteceram e, depois, ganharam proporção.

Na Netflix, a mesma estrutura de sempre

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Estreia desta semana, ‘O Assassino da Minha Filha’ conta o que esse título absolutamente didático já deixa bem claro: um homem buscando vingança e justiça pelo assassinato de sua filha. Tudo começa pela morte da garota, aparentemente por conta de um afogamento com comida. No entanto, o pai biológico da vítima logo começa a ver sinais de que o padrasto, um médico conceituado, tem algo a esconder. É aí que ele começa uma investigação paralela, tentando entender os últimos momentos de vida da filha e qual o papel desse médico na morte da garota.

É, enfim, uma narrativa bem tradicional e já usada pela Netflix outras vezes. São várias pessoas sentadas, dando entrevistas, enquanto a direção do estreante Antoine Tassin cuida de trazer cenas encenadas que recriam passagens contadas pelos entrevistados. É a mesma coisa que acontece em ‘A Garota da Foto’. Neste aqui, a diretora Skye Borgman (de ‘Sequestrada à Luz do Dia’) segue à risca o formato, sem qualquer solavanco ou surpresas, para falar sobre o que há por trás na história de uma mulher que morre após um acidente, mas com reviravoltas bizarras.

A Garota da Foto da Netflix
‘A Garota da Foto’ apresenta detalhes de crimes e investigações (Crédito: Divulgação/Netflix)

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Isso mostra que, neste momento, a Netflix ainda não está tão interessada em fazer algo muito diferente do que já apresentou nessas outras produções que já citamos. É o mesmo ritmo, a mesma forma de filmar, de contar a história, de apresentar os personagens e até mesmo de trazer o embate moral. Aliás, há até semelhanças de recriações: ambos os filmes apostam bastante em fotos antigas sendo observadas por atores interpretando os envolvidos nessas histórias — é, afinal, a forma que a direção encontra de deixar esses personagens mais próximos da realidade apresentada.

‘O Assassino da Minha Filha’ e as histórias inacreditáveis

O que vale aqui, assim, é a história em si — ambas, afinal, inacreditáveis. O mais novo, ‘O Assassino da Minha Filha’, é daqueles que causam uma revolta natural. Ao ver o pai da menina assassinada na tela, entendemos a revolta daquele homem mesmo que nós, do outro lado da tela, não tenhamos a experiência da paternidade. As imagens bem encaixadas do padrasto, quando comenta sobre o caso, amplificam as emoções. São pequenas sacadas espertas do cineasta que, apesar de não ter experiência com longas, nem com o gênero, mostra competência nesse formato.

Já Borgman sabe que tem uma história chocante em mãos. Enquanto ‘O Assassino da Minha Filha’ aposta nessa revolta quase natural, ‘A Garota da Foto’ aposta no choque. Tudo ali é revoltante, claro, mas a forma que a narrativa é apresentada causa surpresa e, com isso, choque. Afinal, a cineasta e roteirista sabe como se apoderar dos meandros dos relatos para que o espectador seja surpreendido aos poucos, de forma lenta e cruel. É difícil ao final não sentir um gosto amargo na boca, percebendo a forma que esse crime (e sua investigação) foi conduzida e concluída.

Aliás, falando em gosto amargo, ‘O Assassino da Minha Filha’ e ‘A Garota da Foto’ trazem um questionamento: até que ponto essas histórias tão duras ainda terão tanto sucesso? O filme da semana passada conquistou um espaço interessante no ranking de mais vistos da Netflix durante o final de semana e ‘O Assassino da Minha Filha’ deve seguir o mesmo caminho. Ou seja: ainda possuem aderência. Mas a que custo? São filmes de mesmo formato, que apostam tudo na tragédia alheia. Não sei, mas fica a sensação de que isso tem data de validade. E está bem, bem próxima.

Quer saber mais sobre ‘A Garota da Foto’, incluindo o link para assistir na Netflix? Clique aqui.

Para saber mais sobre ‘O Assassino da Minha Filha’ e o link para ver o filme online, acesse aqui.

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