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Em São Paulo, cinemas reabrem apenas na última fase da quarentena

Com o chamado Plano São Paulo, exibidores devem começar a reabrir só daqui 60 dias e com medidas restritivas

Matheus Mans   |  
27 de maio de 2020 14:38
- Atualizado em 17 de junho de 2020 12:19

O governo do estado de São Paulo anunciou na tarde desta quarta-feira, 27, que irá prorrogar a quarentena em todo o estado. No entanto, a partir do dia 1º de junho, o retorno das atividades econômicas será por fases, em diferentes setores, no que está sendo chamado de Plano São Paulo. Cinemas, eventos, teatros e shows estão apenas na última etapa.

São cinco fases no total. Na primeira, só atividades essenciais. Depois, na segunda, a atual etapa da capital, outros estabelecimentos definidos pelos prefeitos, como comércios e shoppings. Na terceira, restaurantes. Em penúltimo, academias. Por fim, na quinta fase, cinemas, teatros e shows.

A capital já começa o novo período na fase 2, enquanto algumas regiões do interior estarão na 3 e outras (incluindo litoral e o restante da região metropolitana de São Paulo), na 1.

Em São Paulo, municípios já estão divididos por fases (Crédito: Governo do Estado de São Paulo)

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Para avançar de fase, a cidade precisa estar com números positivos no número de leitos ocupados, na taxa de isolamento do estado e no número de casos por 14 dias. Assim, dessa forma, a situação só avança ou retrocede dentro desse período, mesmo com reavaliações a cada sete dias.

Na última fase, mesmo com tudo reaberto, o governo considera o período como um “normal controlado”. Afinal, ainda que comércios e estabelecimentos possam operar, será preciso seguir regras rígidas de higiene e manter distanciamento social entre as funcionários e clientes.

Situação dos cinemas

Para essa reabertura, o governo do estado elaborou, junto de agentes dos setores, um protocolo geral. No caso das salas de cinema, a lotação não poderá ultrapassar 35% de sua capacidade. Além disso, os cinemas devem organizar as saídas afim de evitar aglomerações e priorizar a higiene.

Algumas das medidas, porém, chamam a atenção. Por exemplo: em uma das normas do novo protocolo, o governo do estado afirma que familiares e habitantes de uma mesmo residência não terão “a distância mínima entre eles não aplicável”. Mas não há explicações de como fiscalizar essa medida.

No entanto, é importante ressaltar: esses protocolos são pontos de partida para que os prefeitos conversem com os setores, internamente. Dessa forma, será possível entender as demandas de cada região, colocar aspectos específicos de cada setor e determinar como o protocolo será seguido ali.

Tabela de reabertura do estado; apesar da falta de sinalização, última fase conta com restrições e protocolos (Crédito: Governo do Estado de São Paulo)

As discussões começam em 1º de junho. A partir daí, protocolos de cidade serão validados por entidades setoriais, vigilância sanitária e município.

As produções audiovisuais também contam com normas específicas — como já falamos aqui no Filmelier. No caso do estado de São Paulo, gravações podem ser retomadas também a partir da quinta fase. Deve-se evitar cenas de contato físico e presenças dispensáveis, além de ter set reduzido e testes virtuais.

Reabertura

Com os novos protocolos e o cronograma de reavaliação, os cinemas da capital de São Paulo só poderão reabrir dentro de 60 dias. E isso em um caso extremamente positivo, em que todos os números na cidade se mantiveram abaixo do esperado e em uma curva claramente decrescente. Caso a situação fique estável ou retroceda, o período pode ser ainda maior.

No entanto, após chegar no momento da reabertura, o governo do estado de São Paulo não deu novas informações. Afinal, até quando os cinemas terão que manter a restrição de 35%? Como será o depois? Quais medidas terão que ser tomadas após um controle mais efetivo da doença, ainda sem vacina?

Por enquanto, essas são questões sem respostas. Afinal, mesmo que tudo corra bem, a abertura dos cinemas permanece em um horizonte distante.

Crédito da imagem de destaque: Flickr / Tobias Wrzal.