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“Gaby Amarantos se entregou de corpo e alma”, diz diretor de ‘Serial Kelly’

René Guerra fala sobre a criação da história de uma serial killer que também é cantora de forró no sertão nordestino

Matheus Mans   |  
24 de novembro de 2022 07:25
- Atualizado em 23 de novembro de 2022 10:09

Serial Kelly‘, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24, talvez seja um dos filmes mais absurdos, inusitados e criativos que o cinema nacional nos proporcionou em 2022. O motivo? A trama acompanha a história de Kelly (Gaby Amarantos), uma cantora de forró eletrônico que viaja por inferninhos no interior do nordeste e que, de quebra, deixa um rastro de mortes por onde passa. Isso mesmo: é um filme sobre uma serial killer brasileira no sertão nordestino.

Dirigido por René Guerra, que faz sua estreia na direção de longas para o cinema, ‘Serial Kelly’ surpreende. Não só pela trama inesperada, como também pela entrega de Amarantos. Ela, que já tinha feito participações em séries, assume seu primeiro protagonismo em um longa-metragem que transforma a também cantora em uma outra pessoa na tela.

Cena do filme Serial Kelly com Gaby Amarantos na imagem
Gaby Amarantos se desconstrói na tela como a protagonista de ‘Serial Kelly’ (Crédito: Divulgação/Bananeira Filmes)

“Gaby é um fenômeno da natureza. Quando olhei nos olhos dela, soube que ela serial a Kelly. Ela abriu mão de tudo no nosso processo de preparação. Abriu mão de uns cinco meses de show. Afinal, foram cinco semanas no Rio de Janeiro e quatro semanas em Maceió de ensaio. Depois mais cinco semanas de filmagem”, contextualiza René ao Filmelier. “Gaby se entregou de corpo e alma, com cenas difíceis e com exposição muito grande. E ela muito íntegra”.

Criação do absurdo em ‘Serial Kelly’

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A partir dessa atuação certeira de Amarantos, ‘Serial Kelly’ mostra que não apenas está construindo uma história de uma mulher que sai matando por aí, mas está trazendo um olhar social para o sertão brasileiro. E esse comentário surgiu durante o processo de desenvolvimento do filme: inicialmente, a produção era mais gore, mais sanguinolento. No entanto, as coisas foram mudando com a entrada de Vânia Catani na produção e pelo olhar do sertão de hoje.

“Começamos a ver um sertão completamente devastado. Uma guerra santa estava acontecendo ali e as novas igrejas pentecostais estavam atacando as manifestações culturais. Não são todas as religiões, todos os crentes que fazem isso. Mas algumas igrejas tentavam convencer as pessoas pagando promessa. Criamos uma nova versão da história”, diz.

Com isso em mãos, René foi trabalhando em várias frentes: desenvolver a jornada dessa serial killer no nordeste, dar profundidade à dor e ao talento de Kelly, mostrar as transformações no sertão e como a arte dessa personagem se encaixa na região hoje em dia. Tudo isso ainda tem um quê de Irmãos Coen, com uma comédia de erros amarrando tudo ali, e bastante de um cinema brasileiro que transita entre o Boca de Lixo e a Pornochanchada.

“Venho do teatro e nunca trabalharia com realismo. Dizem que menos é mais, mas para Lampião menos é morte”, explica o diretor de ‘Serial Kelly’. “Amo a pornochanchada. Tem muita coisa subversiva que teve que se desviar, colocar o sexo na frente para falar de outras coisas. Muita coisa genial com isso. A precariedade me atrai como estética”.

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