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“Sinto a conexão com o Buzz há 25 anos”, diz Angus MacLane, diretor de ‘Lightyear’

Diretor, que havia sido recusado pela Pixar nos anos 1990 e trabalhou na equipe de ‘Toy Story’, comanda filme de origem de Buzz Lightyear

Matheus Mans   |  
16 de junho de 2022 17:34
- Atualizado em 17 de junho de 2022 16:55

Você pode não lembrar desse nome, mas Angus MacLane conquistou sua importância na Pixar nas últimas duas décadas. Depois de ser inicialmente rejeitado para trabalhar no estúdio, ele participou de ‘Toy Story‘, em 1999, como “artista de storyboard adicional”. Um cargo pequeno, que passa rapidamente nos créditos finais. Depois foi ganhando confiança. Escreveu e dirigiu curtas (‘Burn-E’, ‘Toy Story de Terror‘), dividiu a direção de um longa (‘Procurando Dory‘) e, agora, assina seu próprio filme: ‘Lightyear‘, justamente sobre um dos protagonistas de ‘Toy Story’. O mundo dá voltas.

Estreia dos cinemas desta quinta-feira, 16, o longa-metragem tem uma proposta bem diferente do que a Pixar tinha feito até então. Ao invés de uma história original ou sequência direta de algum sucesso seu, o longa-metragem se propõe a contar a história do filme que fez com que Andy, o dono dos brinquedos de ‘Toy Story’, se apaixonasse pelo personagem Buzz Lightyear. É uma história de origem, mas que antecede a criação do próprio brinquedo. O filme tem lá os seus problemas, mas algo fica evidente quando assistimos ao longa: há muita paixão envolvida no seu desenvolvimento.

'Lightyear': Buzz faz viagem emocionante em novo teaser
Buzz é uma das paixões de Angus MacLane, conectado com o personagem desde seu início na Pixar (Crédito: Divulgação/Disney)

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“Sinto essa conexão com o Buzz há 25 anos”, conta MacLane, em entrevista por vídeo ao Filmelier, sobre a origem de ‘Lightyear’ e a vontade de fazer o filme. “Quando comecei a pensar em um filme para fazer depois de ‘Procurando Dory’, logo pensei em um longa de ficção científica ou até mesmo de ação. Com isso, voltou a surgir essa minha ideia de falar desse lugar de onde o Buzz veio. Essa era uma história que eu realmente tinha vontade de contar, de fazer”.

Inspirações de Angus MacLane

Na coletiva de imprensa, realizada um dia antes do papo de MacLane com o Filmelier, já tinha ficado evidente esse amor do cineasta por ‘Toy Story’, por ‘Lightyear’ e… por ‘Star Wars‘. Sim, ‘Star Wars’. Ainda que o cineasta não tenha ficado tão confortável quando questionado pelo Filmelier sobre as semelhanças com a saga de George Lucas, não dá para negar: as naves usadas pela Patrulha Estrelar parecem X-Wings, Zurg conta com uma profunda inspiração em Darth Vader, o hiperespaço conta com o mesmo design. Isso é fruto de uma relação antiga de MacLane com a saga.

Diretor Angus MacLane
Angus MacLane (Crédito: Divulgação/Pixar)

“Um dia, depois de comer milho com meu pai, assisti a um filme que mudou minha vida: ‘Star Wars’. E depois que vi ‘Star Wars’, tudo que eu queria era brincar de ‘Star Wars’. Tudo que eu queria desenhar era ‘Star Wars’. Era minha religião. E durou anos. Mas foi apenas o começo de uma série de clássicos de ficção científica que definiram minha infância”, conta o cineasta. No entanto, o encantamento de Angus MacLane com a tela grande não parou por aí. Começou a trabalhar com animador até chegar ao seu grande sonho de estar na Pixar.

Quando o Filmelier perguntou ao diretor sobre essa influência de ‘Star Wars’ no filme, parece não ter gostado. Quis saber de mim o que tinha visto de tão semelhante, de tão parecido — naquele momento, vale dizer, os jornalistas tinham assistido a apenas 20 minutos do filme. Foi um certo desconforto, mas, aos poucos, Angus MacLane voltou a se abrir, como tinha feito um dia antes, durante a coletiva de imprensa.

“Posso dizer que tenho uma relação complicada com ‘Star Wars’. Gosto demais dos filmes, eles me inspiram demais, principalmente os três primeiros clássicos”, diz ele, se abrindo sobre sua relação com a saga. “Eles me trouxeram muita empolgação. É interessante, de alguma forma, desbloquear algumas ideias para as crianças. É interessante deixar que eles brinquem com a imaginação. Espero também fazer isso com as pessoas que assistirem”.

Filme dos anos 1990?

O tempo, afinal, é algo muito importante em ‘Lightyear’. O tempo permitiu que MacLane chegasse até sua paixão. O tempo, também, é o empecilho entre Buzz e seu objetivo. É o tempo que move a narrativa. Mas, mais do que isso, tem a questão do tempo da história: apesar de estarmos assistindo ao longa-metragem em 2022, é preciso lembrar que é uma história de 1999, ou até antes. Andy assistiu e se encantou. Como não deixar uma história como essa datada?

“É um desafio. Como fazer um filme que não seja ultrapassado e que não seja exageradamente específico? Você precisa acreditar naquela história. Para isso, colocamos sensibilidade contemporânea com uma união estética que traz elementos daquela época”, diz. Ainda que não explique, é fácil entender essa sensibilidade contemporânea: está na diversidade de ‘Lightyear’, que coloca duas personagens lésbicas se beijando e, posteriormente, tendo um filho.

Afinal, como diz MacLane, não é preciso ficar preso o tempo todo nas convenções do passado — principalmente quando não são positivas. “O ponto de partida é o brinquedo do Andy e o filme que ele assistiu, mas não precisamos lembrar o público, no meio do filme, que eles estão assistindo a um filme”, diz o diretor. “Podemos separar as coisas”.

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