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‘Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore’ traz a sensação de que a magia acabou

Falas transfóbicas de JK Rowling, Johnny Depp e inconsistência tiram alma e coração da franquia de ‘Animais Fantásticos’

Matheus Mans   |  
13 de abril de 2022 14:30
- Atualizado em 14 de abril de 2022 09:53

‘Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore’ estreia amanhã, 14, no Brasil – com sessões de pré-estreia já inundando as salas de cinema a partir desta quarta, 13. Porém, esse talvez seja o filme da franquia derivada de ‘Harry Potter‘ com o maior peso para carregar.

Dirigido novamente por David Yates (dos outros dois ‘Animais Fantásticos’ e de ‘Ordem da Fênix‘, ‘Enigma do Príncipe‘ e ‘Relíquias da Morte: Parte 1‘ e ‘Parte 2‘), o longa-metragem chega com a obrigação de corrigir o rumo da história e, principalmente, fazer com que todo o público, para além da base de fãs, se esqueça do caos que rola nos bastidores.

E que caos! Quando a franquia central sobre Harry Potter chegou ao fim, em 2011, foi natural o caminho da Warner Bros. Pictures em encontrar outra história para contar dentro do universo bruxo. ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam‘ se apresentou como uma aventura divertida que mostrava tempos passados desse mundo para além do Beco Diagonal. Mas o segundo filme foi um desastre: história confusa e, acima de tudo, bastidores ofuscando o filme.

‘Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore’ ainda sofre com bastidores sem rumo (Crédito: Divulgação/Warner Bros.)

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De um lado, afinal, Johnny Depp (da franquia ‘Piratas do Caribe’) estava passando por uma onda de acusações e um longo processo envolvendo violência doméstica contra a ex-esposa Amber Heard. Até hoje, anos depois, o julgamento se aproxima de um resultado ainda mais inesperado, com agressões dos dois lados. Mas a presença de Depp em uma franquia comercial como ‘Animais Fantásticos’ ficou insustentável, até que ele foi ativamente desligado do projeto.

Do outro, a autora de ‘Harry Potter’ não cansa de se desgastar no Twitter. Em uma guinada inesperada, a britânica passou a fazer sucessivos comentários de teor transfóbico. Foi “cancelada” e chegou a ser escondida na homenagem que a Warner Bros. fez para o aniversário do personagem. No entanto, como dona da história, bateu o pé e não seguiu o mesmo caminho de Depp: continuou como roteirista de ‘Animais Fantásticos’, até em ‘Os Segredos de Dumbledore’.

Impacto em ‘Animais Fantásticos’

A história confusa do segundo filme da franquia, ‘Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald’, é apenas um único sintoma desse caos nos bastidores — e bem pequeno dadas as circunstâncias. Há, também, incoerência de elenco, com três atores interpretando o vilão (primeiro Colin Farrell, depois Depp e agora Mads Mikkelsen) e até o sumiço de uma importante personagem da história, Tina, depois da atriz Katherine Waterston declarar apoio à comunidade trans.

O pior de tudo, porém, é a falta de coração. De alma. Depois de um primeiro filme divertido e, em certa parte, vigoroso, a franquia perdeu o rumo. O que ela quer realmente contar? Com tantas feridas nos bastidores, a história ficou baqueada, machucada. É difícil dizer sobre o que ‘Animais Fantásticos’ quer contar. É a história de Newt Scamander? De Grindelwald? De Dumbledore? Das criaturas? Simplesmente não há foco, não há linearidade.

Isso fica ainda mais evidente em ‘Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore’. Enquanto o filme anterior fica mais frágil por conta de problemas narrativos, este faz o arroz com feijão. No entanto, ainda não há vida. Assim como uma das criaturas na trama, o longa-metragem é um morto-vivo. Parece que não pensa, não sente, não se emociona. Apesar caminha à esmo, tentando realmente encontrar um rumo, sem saber realmente o que quer, o que deseja.

‘Os Segredos de Dumbledore’ é ruim mesmo?

A resposta é simples: não. ‘Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore’ tem sua beleza, seus acertos. É um filme com um forte teor político, algo bem distinto dos outros dois longas, e que tenta voltar às origens do primeiro longa-metragem ao colocar as criaturas fantásticas com mais tempo de tela.

É um filme mais próximo de ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ do que de ‘Os Crimes de Grindelwald’ — e isso já é um acerto por natureza, mostrando consciência dos produtores. Há mais cuidado no texto de Rowling e Steve Kloves (da saga ‘Harry Potter’) em ser menos confuso.

Além disso, o elenco se esforça, principalmente com Jude Law (Dumbledore) e Mikkelsen entregando boas atuações. Dá para sentir a entrega de ambos, ainda que sejam limitados pela atuação robótica do cineasta David Yates.

A questão que fica, com esse filme quadradinho e acertado, mas sem coração, é: para quem ‘Animais Fantásticos’ é feito? Os fãs, obviamente, vão se empolgar com cenas de Hogwarts, aparições de certos personagens e por aí vai. No entanto, será que basta ficar nessa bolha? Será que não é preciso reparar os efeitos de Depp e Rowling na imagem do mundo bruxo?

Fica a sensação de que a magia passou. E isso é a última coisa que pode acontecer nessa franquia.

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