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‘Noite Infeliz’ diverte ao misturar Natal com ‘John Wick’

História do longa-metragem acompanha Papai Noel que decide salvar uma família de criminosos sanguinários

Matheus Mans   |  
30 de novembro de 2022 09:27

De vez em quando, em meio a enxurrada de produções ao pior estilo Hallmark, surge algum filme de Natal interessante que sai do óbvio. Recentemente, ‘Entre Armas e Brinquedos‘ entregou um Papai Noel realista vivido por Mel Gibson (‘Coração Valente’). Agora, o “bom velhinho” deixa sua aura positiva mais uma vez para trás com ‘Noite Infeliz’, longa-metragem que mistura a magia da noite de Natal com ‘John Wick’ e que estreia já nesta quinta-feira, 1º.

Dirigido por Tommy Wirkola (de ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’ e ‘Onde Está Segunda?’), o filme acompanha um Papai Noel (David Harbour, de ‘Stranger Things’) bruto e viciado em bebida que, durante a entrega de presentes na noite de Natal, acaba ficando preso numa casa de ricaços mantidos reféns de criminosos . A partir daí, querendo proteger uma criança ali na casa, começa a combater violentamente esses criminosos com muito sangue e violência.

É um Noel totalmente diferente do que já vimos nos cinemas ou na TV — é até mesmo mais sanguinário e violento do que esse outro representado por Gibson. Ele também brinca com a origem do “bom velhinho”, reformulando a bondosa e higiênica história de origem de São Nicolau. Aqui, apesar de santo, não são seus atributos milagrosos que entram no foco de Wirkola. Assim como aconteceu em ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’, tudo é mais sombrio.

Cena do filme Noite Infeliz
David Harbour, o Papai Noel violento de ‘Noite Infeliz’ (Crédito: Divulgação/Universal Pictures)

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Mas não são só as sombras que chamam a atenção. A violência é a entrada, o prato principal e a sobremesa. Com toques de ‘John Wick‘, que mexeu com o cinema de ação ao deixar os movimentos de câmeras mais limpos e com mais sangue espirrando na tela, ‘Noite Infeliz’ repete a fórmula: o momento que o Papai Noel de David Harbour pega um martelo para se defender e atacar mostra toda a potência do momento, deixando qualquer fã de ação empolgado.

O Papai Noel perfeito de ‘Noite Infeliz’

Um dos pontos altos do filme, além da boa forma de lidar com a ação, tem nome e sobrenome: David Harbour. O ator, conhecido principalmente por seus papéis em ‘Stranger Things’ e ‘Viúva Negra‘, usa toda sua fisicalidade para conseguir mesclar os dois polos apostos desse Papai Noel. De um lado, ainda é necessário ter a aura de “bom velhinho” preocupado em entregar presentes para as crianças que, é claro, se comportaram ao longo de todo o ano.

Por outro, porém, ele entrega essa fisicalidade necessária para compor toda a violência de combate contra esses criminosos liderados por Scrooge (John Leguizamo). Com boa atuação de Harbour, que está bem acima do restante do elenco (principalmente Alex Hassell, o “mocinho” da família sequestrada), é fácil ficar convencido dessa personalidade pouco usual de um Papai Noel. Desde a primeira cena, apesar do excesso de grotesco, já estava rendido ao Papai Noel.

Muito disso também passa por criações visuais interessantes, que passam pelo design de produção (Roger Fires, de ‘Anônimo‘), direção de arte (Ksenia Markova, de ‘Maus Momentos no Hotel Royale‘), figurino (Laura DeLuca, também de ‘Anônimo) e efeitos especiais. Tudo isso, em conjunto, trabalha em prol de um Papai Noel que conversa com nossa memória afetiva, mesmo em um cenário distinto. A sacada do toque no nariz e do saco sem fundo são exemplo disso.

No entanto, a repetição

O grande problema do filme é que, com cerca de 100 minutos de duração, ele acaba insistindo na mesma piada durante todo o filme: a de um Papai Noel fora dos padrões. O roteiro escrito pela dupla Pat Casey e Josh Miller (ambos de ‘Sonic: O Filme’) parece não encontrar outros refrescos na história para além disso — e toda a violência e sangue que isso envolve. É um filme de uma piada só e que acredita, piamente, que isso basta para prender toda a atenção.

Há alguns momentos em que ‘Noite Infeliz’ tenta escapar dessa sina, trazendo uma reviravolta aqui e alguma surpresa acolá. Mas como todos os pontos positivos se concentram quase que exclusivamente no Papai Noel de Harbour, pouca coisa se movimenta. A trama da família sequestrada, por exemplo, não consegue fugir do fato de ser um mero acessório para tudo que o Papai Noel faz — quando surge um plot twist no final, por exemplo, pouco impacto.

‘Noite Infeliz’, assim, é um filme bobo e que tem orgulho de ser meramente engraçado e violento, com um Papai Noel bêbado e sanguinário sendo o principal foco de sua atenção. Não há qualquer preocupação por aqui em criar um grande roteiro ou desenvolver uma história que vá ficar no seu imaginário. É apenas um filme de pretensões simples e mundanas que consegue, no final das contas, ser o filme de ação mais divertido de 2022, na última badalada do ano.

‘Noite Infeliz’, filme com David Harbour, estreia nesta quinta-feira, 1º. Saiba mais detalhes e onde comprar ingressos aqui.

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