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Em ‘Nas Ondas da Fé’, Marcelo Adnet mostra a jornada de sucesso de um pastor

Adnet e Letícia Lima falam sobre seus personagens em ‘Nas Ondas da Fé’, uma inesperada celebração evangélica

Matheus Mans   |  
9 de janeiro de 2023 19:32

Confesso que entrei na exibição de ‘Nas Ondas da Fé’, filme que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 12, esperando algo totalmente diferente. Estrelado pelos humoristas Marcelo Adnet (‘Os Penetras’) e Letícia Lima (‘O Palestrante’), o longa-metragem passou por um processo de divulgação que indicava que o filme seria uma comédia brasileira pura e simples. Mas nada disso: ainda que engraçado, ‘Nas Ondas da Fé’ busca colocar os pentecostais brasileiros no cinema.

“Fizemos esse filme com afeto e carinho. Sem raiva. Assim como existem bons atores e maus atores, existem bons evangélicos e evangélicos ruins. O filme mostra a religião pentecostal com humanidade. Tenho confiança no respeito do filme”, explica Adnet, em entrevista ao Filmelier no final de dezembro de 2022. “Não é crítica ao evangélico. Posso até tratar dos conflitos éticos desse meio, mas nunca faço uma crítica. Quem estão errados são os homens, não a fé”.

Adnet faz a jornada de um homem simples ao estrelato evangélico (Crédito: Imagem Filmes)

Esse olhar de Adnet, que também assina o roteiro do longa-metragem, fica evidente na jornada de seu personagem. Hickson (Marcelo Adnet) começa o filme como um faz-tudo: não só arruma computadores, como também trabalha naqueles carros que fazem mensagens de amor. Mas, incentivado pela esposa (Letícia Lima), ele acaba encontrando espaço em uma rádio evangélica. Começa também como faz-tudo, mas logo se torna um pastor muito respeitado.

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Nesse caminho, nada de piadas sobre a existência de Hickson. É, enfim, uma jornada muito bem definida de um homem com talentos inegáveis e que encontra seu espaço, seu dom e sua vocação no espaço da igreja evangélica. É quase uma jornada do herói: apesar dos tropeços, que garantem a graça e as piadas do filme, Hickson trilha a sua jornada. “Acho que a melhor forma de colocar em uma gaveta é chamá-la de comédia dramática”, explica Adnet.

‘Nas Ondas da Fé’ e o cinema evangélico

Essa escolha de tom, apesar de inusitada, não é uma total surpresa. Mais de 30% dos brasileiros são evangélicos no País hoje e quase nada, no cinema e na televisão, é produzido de olho nesse público — com exceção das produções da Record TV. Se as produções espíritas fazem tanto sucesso com filmes como ‘Nosso Lar’, ‘Predestinado‘ e afins, essas histórias evangélicas também podem encontrar seu público, principalmente quando não deles, mas com eles.

Uma busca de fazer com que esse público compreenda de fato de que o filme está ao lado dos evangélicos é a personagem Jéssica, esposa de Hickson. Ela é a síntese do que é a mulher brasileira evangélica e suburbana.

“Amei fazer essa personagem, mas fiquei arrepiada desde a primeira vez que a gente leu o roteiro. Minha primeira impressão da Jéssica é que ela é aquela mulher que aproveita todas as oportunidades. Ela precisa aproveitar tudo. É uma mulher muito sonhadora; mas muito guerreira. A palavra principal da Jessica é amor e fé”, diz Letícia ao Filmelier. “Tentei entender quem ela é como mulher, mais do que quem ela é como evangélica. Quem são essas Jéssicas?”.

Agora, mesmo antes do filme chegar aos cinemas, Adnet afirma que não quer que a jornada de Hickson chegue ao fim em ‘Nas Ondas da Fé’. Ele, que teve a ideia do filme em um restaurante, anotando a jornada do protagonista em um guardanapo, espera que a história vá além. “A gente pretende levar o Hickson pra frente”, diz. “A gente quer falar sobre o que é ser evangélico no Brasil, sempre mantendo o respeito e até a crítica, mas não contra fiéis ou religião”.

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