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Quais serão os próximos passos de Star Wars

No primeiro Dia de Star Wars após ‘A Ascensão Skywalker’, saga se concretiza na televisão e mostra futuro indeciso nos cinemas

Matheus Mans   |  
4 de maio de 2020 17:06

Com o fim de um ciclo em ‘Star Wars: A Ascensão Skywalker‘, surgiu a dúvida: como a Disney, responsável pela franquia, continuará com a saga? Quais serão os próximos passos, os novos rumos? Agora, no primeiro Dia de Star Wars após o fim da história Skywalker, duas trajetórias são traçadas.

Primeiramente, percebe-se a Disney buscando alternativas para encontrar cineastas que entendam o alcance e a popularidade da franquia. Jon Favreau se tornou o “menino de ouro” do estúdio após emplacar sucessos seguidos, como ‘O Rei Leão’, ‘Homem de Ferro’ e, agora, ‘O Mandaloriano’.

Além disso, Taika Waititi (de ‘Thor: Ragnarok’ e ‘Jojo Rabbit’) se tornou uma realidade dentro desse universo cinematográfico intergalático. Nesta segunda-feira, 4, foi confirmado que ele assumirá a direção de algum filme do universo de Star Wars, mas ainda sem data ou história confirmadas.

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Mas, ainda assim, é preciso entender que vários projetos foram paralisados ou até mesmo cancelados no meio do caminho. Afinal, principalmente depois do fracasso de bilheteria e público de ‘Han Solo: Uma História Star Wars‘, a Disney ligou o sinal de alerta. Percebeu que nem tudo funcionaria.

Josh Trank (‘Quarteto Fantástico’) foi demitido de um projeto que se debruçaria sobre a história do caçador de recompensas Boba Fett. Já Dan Benioff e D.B. Weiss (os criadores de ‘Game of Thrones) também abandonaram uma futura trilogia para se dedicar ao acordo com a Netflix.

Uma série de filmes comandada por Rian Johnson (diretor de ‘Star Wars: Os Últimos Jedi‘) também chegou a ser discutida e anunciada, mas a Disney nunca mais deu detalhes. O cineasta, em alta por conta de ‘Entre Facas e Segredos‘, se esquiva das perguntas e afirma que não sabe de nada.

O que se confirma dentro do universo de Star Wars, assim, são dois caminhos. Por um lado, as séries originais — sejam inspiradas em personagens clássicos ou em ideias novas e originais — que ganham força no Disney+. Por outro, um caminho ainda indeciso nas telas do cinema.

Nas telinhas

O fato é que a Disney deu muita sorte de ‘Han Solo: Uma História Star Wars’ ter fracassado. Afinal, foi depois disso que desistiram de um filme sobre Boba Fett e abriram caminho para a série ‘O Mandaloriano’, comandada por Jon Favreau (de ‘O Rei Leão‘ e ‘Homem de Ferro‘). É um sucesso absoluto.

Foi ali, em uma temporada de curtos oito episódios, que surgiu o fenômeno do Baby Yoda. Além, também, de personagens queridos interpretados por atores do calibre de Pedro Pascal (que vive o protagonista Mandaloriano), Werner Herzog (diretor de ‘Aguirre) e Nick Nolte (de ‘Temporada de Caça’).

Mais duas temporadas estão encomendadas. Uma já está em produção. E uma outra começará a ser desenvolvida em breve, também por Favreau.

Baby Yoda se consagrou em ‘O Mandaloriano’ (Crédito: Divulgação/Disney)

Além disso, o Disney+ já prepara uma incursão pelo mundo de Obi-Wan Kenobi, que volta a ser interpretado por Ewan McGregor. Depois do sucesso de ‘Rogue One‘, a série vai mostrar o que houve durante o refúgio do mestre Jedi em Tatooine. Uma visão específica entre os episódios III e IV da saga.

Com isso, será criada a esperada conexão entre os filmes e as séries. Histórias maiores poderão encontrar espaço de experimentação por aqui.

Ainda bebendo do sucesso de ‘Rogue One’, a Disney pretende explorar novamente a figura de Cassian Andor, espião vivido por Diego Luna. A ideia, assim como a série sobre Obi-Wan Kenobi, é mostrar detalhes e momentos. Aqui, no caso, a chegada de Cassian na Aliança Rebelde.

Por fim, junto com a confirmação do filme com Waititi, a Disney anunciou que Leslye Headland (de ‘Russian Doll’) está produzindo e escrevendo uma nova série da franquia para o serviço de streaming. Não há, ainda, detalhes ou uma data de lançamento.

O que se vê, então, é uma aposta no novo. Por mais que a produção do Obi-Wan fale sobre um personagem clássico, o estúdio deverá encontrar uma liberdade maior para explorar novos caminhos e personagens. Dessa forma, podem encontrar segurança para voos maiores. Ou saltos no hiperespaço.

Nas telonas

Enquanto isso, os filmes permanecem do lado sombrio. Recentemente, a Disney colocou no calendário a data do próximo filme de Star Wars. Se não ocorrer algum adiamento por conta do coronavírus, fica só para 16 de dezembro de 2022. Mais de dois anos. Mas o que é isso? Quem vai dirigir?

Rian Johnson está escanteado, os criadores de ‘Game of Thrones’ abandonaram o barco e uma outra, provavelmente comandada por Kevin Feige (presidente da Marvel Studios, parte do mesmo grupo), não ganhou mais detalhes desde seu anúncio oficial, feito no meio de 2019.

Rian Johnson comandou ‘Os Últimos Jedi’ (Crédito: Divulgação/Disney)

A única que vem tomando forma é a de Waititi, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por ‘Jojo Rabbit‘ e diretor de ‘Thor: Ragnarok‘ No entanto, é bom lembrar: a agenda de Waititi está abarrotada. Além de projetos pessoais, ele tem um papel em ‘The Suicide Squad’ (a continuação, dirigida por James Gunn, e não o ‘Esquadrão Suicida’ lançado em 2016).

E é claro: será responsável pela direção de mais um novo filme do Deus do Trovão, chamado ‘Thor: Love & Thunder’, a ser lançado em fevereiro de 2022. Com isso, fica inviável que o diretor neozelandês esteja por trás desse novo título de Star Wars. O espaço entre um filme e outro é curto demais.

Por isso, mesmo com essas confirmações, fica a dúvida: como esse cenário irá se desenhar daqui pra frente? Esse filme de 2022 se concretizará de fato? E Taika Waititi? Vai comandar um projeto pessoal ou da franquia?

Futuro de Star Wars

Assim, pode-se dizer que o caminho que se desenha para Star Wars é ambíguo. Por um lado, séries começam a mostrar sua força — inclusive na expansão de novos universos. Enquanto filmes se projetam para um futuro muito distante e ainda um tanto quando borrado. Nada de definições.

O que se vê é um gosto do público por histórias novas, que explorem o tão querido e polêmico universo expandido — tão negligenciado durante anos e até sob comando de George Lucas. Há histórias de sobra, prontas para adaptação, que resgatariam o espírito de Star Wars e traria novo público.

Enfim, apesar das idas e vindas de Star Wars nas mãos da Disney, não dá para dizer que o futuro é incerto. A bilheteria dos três recentes filmes que compõem a saga principal da família Skywalker comprova isso, com ganhos acima do US$ 1 bilhão. Há espaço, público e histórias disponíveis por aí.

É preciso apenas ter calma e aguardar por novas histórias intergalácticas. Afinal, como diria Yoda, “sempre em movimento está o futuro”.