O Grande Golpe do Leste, dirigido por Natja Brunckhorst (Eu, Christiane F.), é estrelado por Sandra Hüller (Indicada ao Oscar por Anatomia de uma Queda) e Max Riemelt (Sense8). Porque é um filme que parte de uma premissa simples: um bunker cheio de marcos prestes a serem esquecidos. Mas não é um filme sobre dinheiro — ele é só o começo — e nem sobre como acumular riquezas. É sobre Estado, povo e propriedade. Sobre agir enquanto ainda há tempo e evitar que tudo vire poeira sem antes tentar fazer valer. É um filme sobre pertencimento, escolhas, tentativas de reparo. Sobre as perguntas que continuam depois que tudo passa: quem tem direito a quê? O que vale quando tudo perde o valor? Quanto custa bancar o que somos e o que sentimos? E o que acontece quando decidimos pegar de volta o que era nosso — principalmente quando o que “é nosso”, não é material?
É fã do humor francês? Pois saiba que Adeus, Idiotas é o mais puro exemplar da comédia do país do croissant no contexto do cinema atual, sendo a maior bilheteria por lá em 2021. A história tem como ponto de partida aqueles encontros improváveis: uma mãe com uma grave doença parte em busca do filho que deu para adoção, se juntando a um arquivista cego e a um homem que já cruzou o limite do stress. A partir disso, cria situações improváveis - e exageradamente impagáveis. Vencedor de nada menos que seis Césares (o Oscar do cinema francês), incluindo Melhor Filme, o longa tem em Albert Dupontel como a sua grande estrela, afinal ele é, além de co-protagonista, o diretor e co-roteirista. Perfeito para quem busca riso solto e adora rir da desgraça alheia.
Conselhos de um Serial Killer Aposentado (Psycho Therapy) é uma comédia ácida que parte de uma premissa absurda: um escritor (John Magaro, de Vidas Passadas), atravessando uma crise criativa e no meio de um processo de separação de sua esposa (Britt Lower, de Ruptura), faz amizade com um assassino serial aposentado (o lendário Steve Buscemi). Por acaso, ele acaba se tornando seu terapeuta de casal durante o dia e consultor para seu livro de assassinos à noite, um experimento que sai de controle de maneiras macabramente divertidas. Um filme que poderia ser uma comédia de situações totalmente previsível é elevado não só pelas atuações, mas pelas reflexões inesperadas que apresenta sobre a vida matrimonial, suas paixões e as distâncias que estamos dispostos a percorrer para reacendê-las.
Eu Já Fui Engraçada (I Used to Be Funny) foge de clichês. O filme usa o ritmo do stand-up para conduzir uma história sobre cura e identidade. Não seguir fórmulas óbvias do gênero é uma das características da diretora Ally Pankiw. Ela, que já comandou episódios de Black Mirror e The Great, faz sua estreia em longas-metragens. Rachel Sennott (Shiva Baby, Bottoms) é conhecida por seus trabalhos de comédia. Mas aqui mostra talento e versatilidade ao equilibrar humor ácido e drama como a protagonista. Exibido no Festival SXSW e com 83% no Rotten Tomatoes, o longa oferece um olhar sensível sobre saúde mental.













