A Voz de Hind Rajab é um docudrama da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania (As 4 Quatro Filhas de Olfa), que recria os acontecimentos de 29 de janeiro de 2024 na Faixa de Gaza, quando a pequena Hind Rajab e sua família foram assassinados durante um ataque das forças de ocupação israelenses. Com atores profissionais, mas utilizando as gravações reais da ligação telefônica de Hind pedindo ajuda à Crescente Vermelha Palestina, o filme recria as horas angustiantes em que voluntários palestinos tentam contornar a burocracia dos organismos de assistência humanitária para enviar ajuda e resgatar a menina. Ben Hania consegue evitar o sensacionalismo da situação, oferecendo reflexões não apenas sobre a urgência do que Israel está fazendo ao povo palestino, mas também sobre a ineficiência dos organismos internacionais, a impotência dos voluntários e a passividade da sociedade internacional diante da crise.
O tsunami na Tailândia, em 2004, se tornou um desastre de proporções inimagináveis. Matou milhares, feriu outras dezenas de milhares de pessoas e deixou famílias desesperadas. O Impossível, do cineasta J.A. Bayona (que viria a dirigir o segundo filme da franquia Jurassic World), se debruça justamente sobre uma dessas famílias. No caso, um casal de americanos (Naomi Watts e Ewan McGregor, ambos muito bem) que está passando as férias com os filhos nesse paraíso tropical e, de repente, acabam no meio desses desastre natural. Com atuações potentes e efeitos visuais de cair o queixo, O Impossível é um daqueles filmes de catástrofe que te deixa grudado na tela, desesperado para saber como vai terminar. Prepara a pipoca, segura as lágrimas e aproveite o filme.
Indicado ao prêmio de Melhor Design de Figurino no César Awards 2024 e com sua estreia no Festival de Cannes como filme de abertura, A Favorita do Rei (Jeanne du Barry) é um drama de época francês, dirigido e estrelado por Maïwenn (conhecida por O Quinto Elemento), sobre a cortesã e última amante oficial do rei Luís XV (Johnny Depp) da França. O filme narra sua vida desde a infância e anos de formação como filha de um servo, até sua ascensão na sociedade francesa por meio de sexo, alianças e casamentos estratégicos. Embora bem elaborado, é um drama bastante convencional que, em sua realização, convida a comparações não muito favoráveis com Barry Lyndon. Embora o clássico de Kubrick consiga ser uma sátira muito sutil, o filme de Maïwenn se leva muito a sério. Isto, considerando a representação do género feminino e os antecedentes das suas duas principais estrelas, não só não ajuda como convida a questionar o propósito de contar esta história, com tão pouca esperança para a sua protagonista. Você vai gostar se gosta de dramas de época com trajes suntuosos ou se é um ávido seguidor de Johnny Depp.








