The Voice of Hind Rajab é um docudrama da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania (As 4 Quatro Filhas de Olfa), que recria os acontecimentos de 29 de janeiro de 2024 na Faixa de Gaza, quando a pequena Hind Rajab e sua família foram assassinados durante um ataque das forças de ocupação israelenses. Com atores profissionais, mas utilizando as gravações reais da ligação telefônica de Hind pedindo ajuda à Crescente Vermelha Palestina, o filme recria as horas angustiantes em que voluntários palestinos tentam contornar a burocracia dos organismos de assistência humanitária para enviar ajuda e resgatar a menina. Ben Hania consegue evitar o sensacionalismo da situação, oferecendo reflexões não apenas sobre a urgência do que Israel está fazendo ao povo palestino, mas também sobre a ineficiência dos organismos internacionais, a impotência dos voluntários e a passividade da sociedade internacional diante da crise.
Em meio à crise climática em curso a todo vapor, e infelizmente de forma literal, Reconstrução (Rebuilding) se conecta ao nosso tempo, especialmente após os incêndios que devastaram a Califórnia no início de 2025. Segundo longa de Max Walker-Silverman (A Love Song), o filme acompanha a vida de Dustin, um fazendeiro interpretado por Josh O’Connor (La Chimera, Rivais), que perde o rancho da família nos incêndios florestais do Colorado e passa a viver provisoriamente em um acampamento. Enquanto tenta se reconectar com a filha (Lily LaTorre) e a ex-esposa (Meghann Fahy, The White Lotus), ele encontra esperança na comunidade de vizinhos que também buscam recomeçar. Josh O’Connor dá profundidade a um personagem melancólico e vulnerável, um homem com suas próprias cercas emocionais. O que nos faz lembrar dos cowboys lindamente escritos por Jane Campion em Ataque dos Cães. A convivência com a filha, que rende cenas emocionantes, e a proximidade dos vizinhos o fazem vislumbrar a possibilidade de um novo lar. Apesar da temática dolorosa e das perdas irreversíveis de seus personagens, o filme aposta em um olhar de esperança. Por fim, não é um filme-catástrofe: é sobre o que acontece depois, sobre como podemos nos reconstruir enquanto indivíduos e, principalmente, enquanto comunidade.
Eddington - Ari Aster é habilidoso em passar a sensação de caos e terror que a pandemia exacerbou, após anos de alimentação de fake news e teorias da conspiração que contribuíram para a eleição de Donald Trump à presidência e que ficam ainda mais assustadores com a sua volta ao poder após quatro anos. Confira nossa crítica especial, direto do Festival de Cannes 2025, do filme Eddington.




