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“É sobre a solidão dos nossos dias”, explica diretora de ‘Bem-Vindos a Bordo’

Longa-metragem fala sobre a vida de uma aeromoça de uma companhia aérea de baixo custo na Europa

Matheus Mans   |  
13 de dezembro de 2022 09:34
- Atualizado em 15 de dezembro de 2022 08:43

Cassandra (Adèle Exarchopoulos) é a aeromoça de uma companhia aérea de baixo custo que não encontra emoção no seu dia a dia. Rotineiramente, a jovem recepciona passageiros, se esforça para cumprir a cota de vendas do dia e, no “mundo real”, tem encontros furtivos com homens que conhece em aplicativos de namoro. É uma vida em suspensão. E esse é o tema central de ‘Bem-Vindos a Bordo‘, em cartaz nos cinemas desde a última quinta-feira, 8 de dezembro.

Dirigido pela dupla de estreantes Emmanuel Marre e Julie Lecoustre, o longa-metragem, inicialmente, até parece ser compilado de momentos dessa profissional pra lá e pra cá — como se fosse uma observação de Ken Loach (‘Você Não Estava Aqui‘) ao dia a dia dessa comissária. Mas, aos poucos, a narrativa vai se adiantando e se transformando. Cassandra olha para sua vida pregressa, para tudo que perdeu, para tudo que não tem mais e precisa reconquistar.

“O avião de uma companhia de baixo custo é quase como uma prisão, que incorpora todos os problemas dos nossos tempos de uma maneira quase mítica. Abuso emocional, uma realidade falsa, além de toda a relação comercial com os passageiros”, explica Julie Lecoustre, diretora do longa, ao Filmelier. ” O filme é sobre a solidão dos nossos dias”.

De onde veio a ideia de ‘Bem-Vindos a Bordo’?

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De acordo com o outro diretor do filme, Emmanuel Marre, toda a ideia de ‘Bem-Vindos a Bordo’ nasceu da observação do cineasta. “Estava em um voo de uma companhia de baixo custo e passei o tempo todo da decolagem cara a cara com duas comissárias. Uma delas parecia estar tendo um dos piores dias de sua vida”, contextualiza ele ao Filmelier.

Adèle Exarchopoulos é a protagonista de ‘Bem-Vindos a Bordo’ (Crédito: Synapse)

O que mais impressionou Marre, porém, era a máscara no rosto da comissária, obrigatória por conta da pandemia de covid-19. Ele ficou imaginando como essa mulher, que ninguém sabe de sua vida e do que ela deixou em terra, passa no seu dia a dia. Ela parece estar sorrindo quando conversa com passageiros. Só que, com a máscara, pode estar com suas emoções escondidas, apenas. Nesse contexto, os dois diretores começaram a entender mais desse universo.

“Nós achamos que esse era um ponto de partida: o que ela deixou para trás quando entrou no avião? Quem é ela?”, explica novamente Emmanuel, em entrevista. “Nós começamos a falar com comissárias, para entender como é a vida delas e percebemos que a maioria das pessoas nessa profissão escolhem esse trabalho justamente pela necessidade de viajarem para longe de seus problemas, para fazer uma pausa e até mesmo para começar algo do zero”.

O diretor também assinala a importância do espaço — no caso, um avião de uma companhia aérea de baixo custo. É um lugar que reúne pessoas de diferentes contextos. “A gente quase nunca presta atenção em lugares importantes, com pessoas com os mais diferentes motivos de estarem ali. Ikea, McDonald’s, dentro de uma avião. Na Ikea, por exemplo, tem muitas pessoas ali passando um tempo agradável enquanto procuram móveis para sua nova casa. Mas também tem aquela pessoa que se divorciou e precisa começar tudo do zero, sabe? Nós queremos que as pessoas tenham a mesma emoção de deixar de ver tudo pelo Instagram e olhar para a vida real. Queremos a vida real”.

Adèle Exarchopoulos, a protagonista perfeita

No papo com o Filmelier, Emmanuel e Julie não pararam de rasgar elogios ao trabalho de Adèle Exarchopoulos, a protagonista do filme e que já foi celebrada por filmes como ‘Azul é a Cor mais Quente’. Aqui, ela lembra um pouco o trabalho que já mostrou com outras personagens, tendo uma juventude que quase despreza o mundo ao redor. No entanto, ainda assim, mantém certa preocupação com coisa que não foram bem resolvidas, tampouco deixadas pra lá.

“Foi muito fácil trabalhar com ela. Tudo era muito natural. Ela é brilhante em improvisar, em trazer elementos, ao mesmo tempo que é muito técnica”, explica Julie sobre a atuação de Adèle em ‘Bem-Vindos a Bordo’. “Ela tinha toda a habilidade de saber como se mover em uma cena, pensava na continuidade. Ela também incorporou toda a narrativa, toda a descrição dessa personagem, fazendo muita pesquisa e entendendo de verdade quem é a Cassandra”.

Onde assistir a ‘Bem-Vindos a Bordo’?

O drama francês ‘Bem-Vindos a Bordo’ pode ser assistido nos cinemas desde a última quinta-feira, 8 de dezmebro.

Confira, a seguir, a sinopse oficial do filme:

Uma aeromoça vive entre viagens e redes sociais, enquanto lida com falsos sorrisos de boas-vindas no mundo plástico das companhias aéreas baratas, até que perde seu emprego e precisa voltar para casa.

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