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‘Eternos’ e a tardia inclusão da Marvel Studios no mundo dos heróis

Com um elenco extremamente diverso, o filme traz os primeiros super-heróis LGBTQIA+ e PCD do MCU

4 de novembro de 2021 11:08
- Atualizado em 5 de novembro de 2021 07:47

‘Eternos’, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta, 4, já carregava uma grande expectativa antes mesmo da estreia: tem Angelina Jolie no elenco, é dirigido pela ganhadora do Oscar Chloé Zhao e dá o rumo que a Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês) deve seguir. Porém, infelizmente, o longa-metragem está dando o que falar pelos motivos errados: não foi bem recebido pelos críticos internacionais.

Independente disso, ‘Eternos’ traz um diferencial – tardio, mas necessário – à Marvel Studios. Afinal, a produção agrega uma chinesa na direção, o primeiro super-herói LGBTQIA+ do estúdio, a primeira personagem (e atriz) deficiente auditiva e, além de tudo, traz diversas etnias entre os protagonistas.

Salma Hayek é uma das protagonistas de Eternos (Crédito: Divulgação/Disney)
Salma Hayek é uma das protagonistas de ‘Eternos’ (Crédito: Divulgação/Disney)

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Para começar, uma chinesa – que ainda era desconhecida fora do cinema independente – assumiu a direção do longa em 2018 e só agora, em 2021, é que o nome de Chloé Zhao se tornou conhecido no mundo todo graças ao sucesso do premiado ‘Nomadland’.

Zhao se tornou a primeira pessoa do leste asiático a ganhar um Oscar na categoria de direção e a segunda mulher na história do cinema. A realizadora deu o primeiro passo no mundo dos blockbusters justamente com ‘Eternos’. Agora, se por isso muita gente esperava um filme de arte ou ainda algo semelhante ao que James Mangold fez em ‘Logan’, se enganou.

A cineasta fez, na verdade, um dos projetos menos ousados da própria carreira, mas também é o que mais destoa no mundo dos super-heróis. Enquanto Chloé Zhao faz seu filme mais convencional para os seus padrões, a Marvel abre, finalmente, as portas da inclusão e da diversidade.

Marvel mostra um novo (e inédito) universo, o da diversidade

‘Eternos’ conta a história de uma raça de seres imortais, os Eternos, que vivem na Terra há milhares de anos, moldando as civilizações enquanto batalhavam contra os malignos Deviantes. Essa trama parece bem lugar comum, mas seu desenvolvimento vai além disso, dando espaço para discussões maduras sobre relações humanas.

“Quando cheguei a Marvel já tinha um encaminhamento e esses personagens foram escritos dentro disso, então fiquei muito impressionada com sua luta pela diversidade”, disse Zhao ao Los Angeles Times na estreia de ‘Eternos’. “Não apenas em termos de gênero, raça. Diferentes tipos de diversidade. Essa é uma das razões pelas quais fui atraída para o projeto.”

Pela primeira vez somos apresentados aos primeiros heróis PCD, LGBTQIA+ e com corpos fora do padrão ao MCU – e não só isso, todo aquele papo de que a Marvel Studios tirava o desejo sexual dos personagens também fica no passado. Um dos temas centrais do novo filme é um casal e seu desenrolar ao longo dos séculos.

“E por que demorou tanto?”

Durante a estreia do filme, Angelina Jolie foi entrevistada pela Variety e falou sobre a diversidade. “O que realmente é impressionante é que, quando nos reunimos não parecia algo novo ou legal, a sensação era que as coisas sempre deveriam ter sido assim”.

 Kumail Nanjiani como Kingo em Eternos: mais diversidade de etnias (Crédito: Divulgação/Disney)
Kumail Nanjiani como Kingo em ‘Eternos’: mais diversidade de etnias (Crédito: Divulgação/Disney)

“E por que demorou tanto? Parecia tão certo”, continuou Jolie. “O que eu espero é que quando as pessoas assistirem a este filme, elas não fiquem pensando ‘Oh, este é um filme sobre diversidade, que mostra que qualquer um pode ser um super-herói’. Eu quero que pensem ‘É claro que essa pessoa é um super-herói, e é claro que essa outra também é’. A vergonha é nossa por ter questionado, um dia, se elas poderiam ser”.

O próprio elenco do filme traz isso também – algo que já tinha sido vestido em ‘Pantera Negra’ e ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’ – e leva a outro nível. A protagonista é Gemma Chan, inglesa com ascendência chinesa. A mexicana Salma Hayek também tem um papel de destaque, junto ao paquistanês Kumail Nanjiani e ao sul-coreano Ma Dong-seok, também conhecido como Don Lee.

E, claro, temos Lauren Ridloff, que tem ascendência mexicana e de fato é deficiente auditiva, o que revela que a produção realmente pensou em ser inclusiva já no casting. A atriz dá vida à heroína Makkari no filme. “Só de saber que estava trabalhando com uma diretora como Chloé, me senti muito segura”, disse Ridloff ao Los Angeles Times. “Nós passamos por todo esse novo caminho com a primeira super-heroína surda no MCU, mas sob sua direção, eu sabia que ela me faria justiça. E eu sabia que… a representação autêntica é realmente importante para ela”.

“Eu sempre quis entender como realmente revelaríamos minha surdez no enredo, e finalmente chegamos a um ponto em que senti que poderíamos realmente mostrar Makkari como dona de um benefício ou um ganho com a surdez”, completou Ridloff. “Essa é uma palavra que usamos dentro da comunidade – ao contrário de ‘perda auditiva’ – para mostrar a ideia de que ser surdo também pode ser uma coisa boa, e mostramos isso no filme”.

“Quando veremos
um ator árabe muçulmano
abertamente gay
interpretando um super-herói?”

Outro papel importantíssimo no filme e na representatividade é o de Brian Tyree Henry, o intérprete de Phastos, o primeiro herói assumidamente gay e negro do MCU. Já o ator libanês Haaz Sleiman é o marido do personagem na história.

Phastos, ao centro: o personagem interpretado por Brian Tyree Henry é o primeiro herói abertamente LGBTQIA+ do MCU (Crédito: divulgação/Disney)
Phastos, ao centro: o personagem interpretado por Brian Tyree Henry é o primeiro herói abertamente LGBTQIA+ do MCU (Crédito: Divulgação/Disney)

Antes da estreia de ‘Eternos’, Sleiman falou com o New Now Next sobre seu papel. “É meu primeiro filme da Marvel, então é claro que estou animado. Estou muito orgulhoso do que a Marvel conseguiu realizar, eles abordaram o assunto de uma forma muito cuidadosa, e Phastos é um dos maiores super-heróis do filme. Eu sou o marido dele, um arquiteto; nós temos um filho. Mesmo que eu desejasse ser o super-herói, porque quando veremos um ator árabe muçulmano abertamente gay interpretando um super-herói? Mal posso esperar para ver”.

A Marvel ainda não chegou neste nível, mas quem sabe no futuro?

Esta pode ser que uma produção que não agrade por diversos motivos, como um roteiro mais lento e uma história completamente nova – que acaba sendo um pouco confusa ao tentar apresentar algo desconhecido para quem não é leitor de quadrinhos. No entanto, a Marvel Studios acertou nas escolhas de elenco e produção, assim como Chloé Zhao, que se mostrou versátil e que tem um nicho a ser explorado também no meio dos filmes populares.

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