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Netflix levará mais um ano para cobrar pelo compartilhamento de senhas

Após tombo histórico do streaming, medida já está em testes no Chile, Costa Rica e Peru

20 de abril de 2022 11:57
- Atualizado em 21 de abril de 2022 11:21

Um dos movimentos mais polêmicos da Netflix será, certamente, a cobrança adicional para quem compartilha a assinatura do streaming com quem mora em outras casas, o chamado de “password sharing”. A medida já está em teste Chile, Costa Rica e Peru, mas, de acordo com a empresa, ainda levará mais um ano para ser implementada em outros países, incluindo o Brasil – e que ainda não há um modelo definitivo de como ela funcionará.

O prazo foi informado ontem, 19, em conferência pré-gravada divulgada após o anúncio do balanço do primeiro trimestre de 2022. De acordo com a própria empresa, a medida poderá afetar cerca de 100 milhões de lares em todo o mundo que utilizam senhas de assinantes que vivem em outras casas.

“Nós temos que ser pagos por eles em algum grau”, disse o co-CEO e fundador Reed Hastings.

Usa a assinatura da Netflix do amiguinho? Prepare-se: uma cobrança adicional poderá vir daqui um ano (crédito: divulgação / Netflix)
Usa a assinatura da Netflix do amiguinho? Prepare-se: uma cobrança adicional poderá vir daqui um ano (crédito: divulgação / Netflix)

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A movimentação será aos poucos. Após o teste nesses três países, a Netflix levará algum tempo para desenvolver e implementar globalmente um modelo definitivo para essa cobrança, de acordo com o COO Greg Peters.

No novo modelo que esta sendo testado até aqui, a gigante do streaming cobra um adicional para quem compartilha sua conta – um incremento de pouco mais de 20% no valor. Em compensação, a medida deixa essa troca mais segura: cada um passa a ter uma senha diferente para acessar a plataforma, mesmo que dentro da mesma conta.

Não está claro se esse será o modelo definitivo a ser adotado daqui um ano, já que tudo vai depender dos testes realizados até lá. Uma coisa é certa: compartilhar senhas não sairá mais de graça, já que a companhia quer aumentar a receita de suas assinaturas.

Em grande medida, o movimento ganhou força após a empresa anunciar, justamente no último balanço, que perdeu 200 mil assinantes – o pior resultado desde 2011. Parte, sim, foi pelo encerramento das atividades da plataforma na Rússia, por conta da invasão da Ucrânia, mas a Netflix também sofreu com os cancelamentos nos EUA e América Latina. No mesmo período, a empresa teve um incremento da receita de cerca de 10%, menor do que o esperado por Wall Street.

“Eu sei que [o resultado] é decepcionante para os nossos investidores, mas estamos realmente preparados. Este é o nosso momento de brilhar. Este é o nosso momento de voltar às graças dos investidores”, disse um empenhado Hastings.

Netflix com esporte ao vivo?

Ainda na conferência, um dos temas abordados foi o da exibição de esportes ao vivo na Netflix. Diversas plataformas estão recorrendo a esse tipo de conteúdo para impulsionar a sua base de assinantes: no Brasil, HBO Max, Star+ e Amazon Prime Video já trazem esse tipo de transmissão. Nos EUA, o Apple TV+ fechou recentemente com a MLB, a liga de baseball do país.

Sede da Netflix em Hollywood: a empresa quer conteúdos adjacentes às transmissões esportivas (crédito: divulgação / Netflix)
Sede da Netflix em Hollywood: a empresa quer conteúdos adjacentes às transmissões esportivas (crédito: divulgação / Netflix)

O grande problema é que direitos esportivos, por via de regra, são muito caros e exigem um investimento antecipado para colher resultados em médio e longos prazos – algo complicado para uma companhia que já está sendo cobrada pelo grande volume de investimento na produção de conteúdo.

Porém, se antes a Netflix preferia se abster totalmente dessa discussão, ao menos agora ela deixa aberta alguma possibilidade.

“Eu não estou dizendo que nunca faremos esportes, mas teremos que ver um caminho para aumentar um grande fluxo de receita e um grande fluxo de lucro com isso”, disse o outro co-CEO, Ted Sarandos.

Por outro lado, o executivo apontou durante a conferência que a Netflix quer continuar investindo em conteúdo “adjacente” às transmissões esportivas – sendo o maior exemplo a série ‘Dirigir Para Viver’, que traz os bastidores da Fórmula 1 e que ampliou a base de fãs da categoria nos últimos anos.

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