Eu Já Fui Engraçada (I Used to Be Funny) foge de clichês. O filme usa o ritmo do stand-up para conduzir uma história sobre cura e identidade. Não seguir fórmulas óbvias do gênero é uma das características da diretora Ally Pankiw. Ela, que já comandou episódios de Black Mirror e The Great, faz sua estreia em longas-metragens. Rachel Sennott (Shiva Baby, Bottoms) é conhecida por seus trabalhos de comédia. Mas aqui mostra talento e versatilidade ao equilibrar humor ácido e drama como a protagonista. Exibido no Festival SXSW e com 83% no Rotten Tomatoes, o longa oferece um olhar sensível sobre saúde mental.
Carga Final (The Final Run) é um drama de ação do subgênero southern noir dirigido por Chris Helton (Águas Perigosas). O longa marca o reencontro dos protagonistas Jeff Fahey (Lost) e Judd Nelson (Clube dos Cinco) após o sucesso de A Tale Of Two Guns, acompanhados por Drew Waters (Friday Night Lights) e a estreante Maddie Henderson. O enredo foca em dilemas morais e no peso das escolhas passadas, centrando-se na figura de um homem que retoma táticas de outrora para garantir a segurança da família. Grande destaque para a tensão psicológica e ao sacrifício em vez da ação frenética convencional. Como curiosidade, o roteiro é inspirado em eventos reais da famosa Operação Jackpot, uma das maiores investigações da DEA contra o contrabando de maconha nos Estados Unidos. Esse cenário dá o tom de "jogo de gato e rato" para o desenrolar da história.
Swingers: Os Limites do Amor (Borders of Love) - Até onde você iria pelo desejo? Hana sente que seu relacionamento com Petr está caindo na rotina e passa a compartilhar suas fantasias eróticas com ele. Mas o que começa com uma conversa despretensiosa logo se transforma em uma aventura sexual intensa que pode sair do controle. Com uma boa dose de drama e erotismo na medida, esse filme te convida para uma autoreflexão sobre sexo e relações não-monogamicas.
Indicado ao prêmio de Melhor Design de Figurino no César Awards 2024 e com sua estreia no Festival de Cannes como filme de abertura, A Favorita do Rei (Jeanne du Barry) é um drama de época francês, dirigido e estrelado por Maïwenn (conhecida por O Quinto Elemento), sobre a cortesã e última amante oficial do rei Luís XV (Johnny Depp) da França. O filme narra sua vida desde a infância e anos de formação como filha de um servo, até sua ascensão na sociedade francesa por meio de sexo, alianças e casamentos estratégicos. Embora bem elaborado, é um drama bastante convencional que, em sua realização, convida a comparações não muito favoráveis com Barry Lyndon. Embora o clássico de Kubrick consiga ser uma sátira muito sutil, o filme de Maïwenn se leva muito a sério. Isto, considerando a representação do género feminino e os antecedentes das suas duas principais estrelas, não só não ajuda como convida a questionar o propósito de contar esta história, com tão pouca esperança para a sua protagonista. Você vai gostar se gosta de dramas de época com trajes suntuosos ou se é um ávido seguidor de Johnny Depp.
Flow é, em termos simples, um dos filmes mais bonitos de 2024, tanto visual quanto narrativamente, e uma das animações mais interessantes – e premiadas do ano – por diversos motivos. Trata-se de uma produção letã que narra a luta de um gatinho para sobreviver em um mundo misteriosamente inundado, aprendendo a conviver com animais de outras espécies a bordo de uma barca. Simples, mas narrado de forma eficaz com imagens puras, sem diálogos, conseguindo uma expressividade quase naturalista nos animais e uma emotividade enganosa para sua premissa tão básica, que se foca mais em evocar compaixão do que em explicar seus mistérios. Além disso, em termos da indústria da animação, pode ser um divisor de águas: foi feita totalmente com o software open source Blender, o que abre a porta para que animadores independentes criem cinema de animação de forma inovadora e sem as restrições representadas por outros caros padrões da indústria.


