Um Dia de Sorte em Nova York (Lucky Lu) é um filme de Lloyd Lee Choi que aborda temas atuais como imigração, subempregos e uberização. O filme acompanha Lu (Chang Chen), um homem comum, humano e imperfeito, apenas tentando prover para sua família e se estabelecer em um país que o ignora. Sua vida vira de cabeça para baixo quando seu ganha-pão, a bicicleta elétrica com a qual faz entregas, é roubada, justamente quando está prestes a estabelecer um novo lar para a esposa e a filha, que acabam de chegar à cidade. Uma clara referência a Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica, mas ambientada nos dias atuais, com problemas sociais ainda mais amplificados. Diferente da maioria dos filmes sobre Nova York, com arranha-céus, pessoas estilosas e táxis amarelos, Lucky Lu mostra a cidade invisível dos subempregos, cinzenta e sem glamour, cenário que intensifica o drama da busca de Lu nas 48 horas em que tenta recuperar o que perdeu. A relação de Lu com a filha é central: assim como no clássico italiano, a presença da criança coloca à prova a índole do personagem, revelando seu caráter a cada desafio, ao mesmo tempo em que lhe dá força e motivação para seguir em frente. O vínculo entre pai e filha transforma a tensão da narrativa em algo comovente, tornando a busca de Lu uma faísca para tentar, mais uma vez, sobreviver e construir uma história em um país que finge não vê-lo.
A crise dos refugiados na Europa tomou conta do noticiário nos últimos anos. Mas, mais do que notícias distantes e frias, a realidade na costa da Itália é bem real neste documentário. Um retrato necessário para entender a dimensão do que está acontecendo - e, inclusive por isso, o filme foi indicado ao Oscar 2017 e venceu o Urso de Ouro do Festival de Berlim.
O Brutalista (The Brutalist) é um drama do diretor Brady Corbet (Vox Lux), que aborda temas como a experiência migrante e o preço do poder. A trama segue László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto judeu húngaro e visionário que, após sobreviver ao Holocausto, emigra para os Estados Unidos, onde tenta reconstruir sua vida do zero e reencontrar sua esposa (Felicity Jones). No entanto, sua vida é transformada por um empresário sem escrúpulos (Guy Pearce), que reconhece seu talento para a arquitetura. Mesmo com algumas controvérsias sobre o uso de inteligência artificial, trata-se de um filme majestoso, com atuações incríveis e imagens deslumbrantes em formato VistaVision. Sua duração também é monumental, com quase quatro horas de filme, mas que resgata os tradicionais intervalos para proporcionar um respiro.




