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Novo ‘Pânico’ é um dos melhores filmes da franquia e honra legado de Wes Craven

Seguindo a metalinguagem dos outros filmes, a série se atualiza e ainda satiriza o fanatismo nas redes sociais

13 de janeiro de 2022 15:55
- Atualizado em 16 de janeiro de 2022 14:27

Estamos na era do retorno de grandes franquias – e uma delas é ‘Pânico’. Para a felicidade dos fãs, o novo filme – que estreia nesta quinta (13) nos cinemas brasileiros – traz uma ótima história, que consegue inovar resgatando o passado. O longa, que leva o mesmo nome do original, é uma espécie de continuação que reinicia a série e também honra o legado de Wes Craven, que criou e comandou os outros quatro volumes da franquia.

Só em 2021 acompanhamos o retorno de ‘Matrix’, a segunda parte da nova trilogia de ‘Halloween’, o retorno de ‘Candyman’ e o –editado para evitar spoilers– em ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’. Essas produções abrem caminho para mais: já foram confirmados novos filmes de ‘Premonição’ e ‘O Massacre da Serra Elétrica’, por exemplo. O maior gancho dessa onda de remakes e reboots é a nostalgia, algo que pode engradecer ou disfarçar falhas no roteiro.

No novo ‘Pânico’, os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett trazem o ar cômico que vimos em ‘Casamento Sangrento’, também da dupla, com a conexão ao passado que os fãs tanto gostam. Assim como nos outros títulos da série, a metalinguagem – brilhantemente inserida por Wes Craven – consegue arrancar risadas tanto nos diálogos quanto nas cenas que satirizam os óbvios “jump scares”, ou sustos de pulo.

Jenna Ortega é uma das protagonistas do novo ‘Pânico’ (Crédito: Divulgação/Paramount Pictures)

Wes Craven e a evolução do slasher

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Em 1996, quando foi lançado o primeiro ‘Pânico’, Wes Craven deu uma nova cara para o subgênero do terror que surgiu nos anos 1970, com ‘O Massacre da Serra Elétrica’ e ‘Halloween’ — ou, para os mais cults, com Alfred Hitchcock em ‘Psicose’, de 1960. A popularidade veio com tudo na década de 1980 com a estreia de ‘Sexta-feira 13’, seguido por ‘A Hora do Pesadelo’, criado por Craven.

Craven foi evoluindo aos poucos esse estilo, que ele começou a ensaiar em ‘Quadrilha de Sádicos’ (1977) e ‘Bênção Mortal’ (1981). O ápice veio em ‘Pânico’, que deu origem a sátiras como ‘Tudo Mundo em Pânico’ e outros filmes adolescentes com assassinos sanguinários, ‘Eu Sei O que Vocês Fizeram no Verão Passado’ (1997) e ‘Lenda Urbana’ (1998).

Ao longo das continuações, o cineasta continuou se reinventando e trazendo mais autenticidade à franquia. O segundo longa, de 1997, brinca com a mente do espectador e surpreende. O terceiro, lançando nos anos 2000, é o menos empolgante da série: apesar de algumas reviravoltas, acaba se perdendo com o excesso de outras produções que bebem desta mesma fonte.

Courteney Cox, Jamie Kennedy e Neve Campbell em ‘Pânico’ (Crédito: Divulgação/Paramount Pictures)

Em 2011 tivemos ‘Pânico 4’, último filme de Craven, que dá uma modernizada e consegue navegar bem na era dos remakes e sequências. Pode não ser o mais surpreendente, mas as cenas de morte são caprichadas e as novas adesões ao elenco também dão outra cara à história.

Já o novo filme, primeiro sem o comando de Wes Craven, se atualiza em diversos sentidos: explora o efeito das redes sociais, o fanatismo, o capitalismo e até mesmo como a mídia se aproveita de massacres. A história é inteligente e consistente, sem medo de ironizar a própria franquia e os fãs.

Se ‘Halloween Kills’ encontrou dificuldade em traçar novos caminhos para o slasher, ‘Pânico’ soube como aproveitar o passado e o presente com uma narrativa inovadora. Por mais que ainda tenham clichês, eles fazem parte do humor ácido que esse subgênero carrega. Essa revitalizada era mais que necessária.

As mulheres continuam sendo peça-chave da história

O novo ‘Pânico’ tem um dos principais traços da carreira de Wes Craven: a importância das mulheres. No começo da carreira, o cineasta, ainda recém-saído do cinema adulto, apela exageradamente em mostrar a nudez feminina – em situações que nem fazem sentido dentro do contexto.

Isso só mudou em ‘A Hora do Pesadelo’, quinto filme de sua carreira, onde ele assume uma direção mais madura. A preocupação dele se torna construir um clima de suspense e desenvolver bem a relação dos personagens com o vilão, que é o Freddie Krueger. Apesar dessa exploração, em praticamente todos os filmes de Craven ele mostra que só as mulheres podem salvar o dia.

Melissa Barrera é Samantha no novo ‘Pânico’ (Crédito: Divulgação/Paramount Pictures)

A protagonista do quinto ‘Pânico’ é Samantha Carpenter (Melissa Barrera, de ‘Em Um Bairro de Nova York’). Seria o nome uma homenagem ao John Carpenter, criador de ‘Halloween’? Não sabemos. Mas, enfim, na trama ela retorna à Woodsboro, onde nasceu, depois que sua irmã, Tara Carpenter (Jenna Ortega) é atacada pelo Ghostface.

Samantha está conectada ao passado da cidade, que se tornou cenário para a franquia de filmes e livros ‘Facada’, baseada nos assassinados que ocorreram lá no passado. Já que os reboots e a sequências quase sempre falham, as continuações que honram o passado da história original vieram para ficar. Esse foi um grande acerto do filme.

Com esse resgate, o caminho estava livre para o retorno de Dewey Riley (David Arquette), Gale Weathers (Courteney Cox) e da dona da franquia, Sidney Prescott (Neve Campbell). Eles formam o grupo de pessoas que cresceram com os slashers e sabem qual a forma de sobreviver a um serial killer – ou tentar.

Os novos personagem da história são Richie Kirsch (Jack Quaid), namorado de Samantha, a já citada Tara e seus amigos, Wes Hick (Dylan Minnette), Amber Freeman (Mikey Madison), Liv McKenzie (Sonia Ben Ammar), Chad (Mason Gooding) e Mindy Meeks-Martin (Jasmin Savoy Brown).

Eles pertencem a outra geração, são os fãs do terror psicológico. Boa parte deles sequer conheciam a história do Ghostface – mesmo morando em Woodsboro. O filme rende ótimas piadas citando ‘O Babadook’, ‘A Bruxa’ e outras produções consideradas cult no gênero.

Courteney Cox volta como Gale Weathers no novo filme (Crédito: Divulgação/ Paramount Pictures)

Como os jovens estão por fora das regras dos slashers, vão precisar da ajuda dos antigos personagens para se livrar do novo assassino. Sem spoilers, apenas citando o óbvio: com esse tanto de mulher no elenco, é claro que elas vão ser a peça fundamental para o desfecho da história.

Este é o fim de ‘Pânico’?

Não dá mais para saber quando alguma série de filmes (ou livros) chega ao fim. Como já citamos acima, o resgate ao passado se tornou um pilar forte no cinema. Pode ser que os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett tenham finalizado o que Wes Craven deu início em 1996 – ou eles começaram uma nova franquia a partir deste gancho, como foi feito com ‘Halloween’.

Uma coisa é certa: o novo elenco segura continuações. Resta saber se vão conseguir manter a história renovada como fizeram neste quinto filme.

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