Vencedora do Oscar de Melhor Direção, Chloé Zhao (Nomadland) imprime sua característica estética naturalista e o uso magistral da luz natural no drama histórico Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet). O longa é estrelado por Jessie Buckley (A Filha Perdida) e Paul Mescal (Gladiador II), responsáveis por trazerem atuações que traduzem com crueza a conexão visceral e o luto entre Agnes Hathaway e William Shakespeare. Adaptado do premiado best-seller de mesmo nome e escrito por Maggie O’Farrell, o filme é um presente para os fãs da obra, que encontrarão uma tradução visual sensível para o ambiente doméstico e o processo criativo que culminaria em uma das peças mais famosas do mundo. Não à toa, Hamnet venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama e Melhor Atriz em Filme de Drama pela brilhante performance de Buckley.
Gladiador II (Gladiator II) é a esperada sequência, quase um quarto de século depois, de um dos filmes mais aclamados e amados na filmografia de Ridley Scott, o original Gladiador. Com esse histórico, e após uma sequência irregular do diretor que inclui Casa Gucci e Napoleão, havia muita expectativa sobre esta segunda parte, que consegue cumprir, embora não inove. A história, situada décadas após o original, segue um guerreiro da Núbia chamado Hanno (Paul Mescal), que se vê forçado a lutar como gladiador quando o reino norte-africano é conquistado pelo general romano Acácio (Pedro Pascal). No entanto, o Império Romano está em conflito por conta do governo corrupto dos dois imperadores gêmeos, e entram em jogo o verdadeiro linaje de Hanno, as afiliações de Acácio e as ambições do misterioso traficante de escravos Macrino (Denzel Washington). A estrutura narrativa é quase a mesma, e embora Scott e o roteirista David Scarpa introduzam diferentes perspectivas sobre a natureza do poder, no fundo, estamos diante de uma história de vingança muito semelhante à anterior. No entanto, é igualmente ou ainda mais espetacular que o original, então, se você é fã do clássico, é quase certo que vai gostar da sequência.
Durante uma hora de projeção, ‘Criaturas do Senhor’ apenas engatinha. Mostra, essencialmente, como é a rotina de uma pequena vila de pescadores na Escócia, com o olhar do espectador principalmente pousado em um núcleo familiar em movimentação. O jovem Brian (Paul Mescal) voltou para casa após meses longe, a trabalho, e não é tão bem recebido quanto esperado: ainda que a mãe (Emily Watson) o trate a pão de ló, o pai não quer sua presença por lá. As coisas pioram, porém, por volta dos 50 minutos de filme: um crime acontece na vila, afetando diretamente essa família, e uma dúvida recai na mãe. Qual deverá ser sua atitude? A partir daí, as diretoras Saela Davis e Anna Rose Holmer (‘The Fits’) mergulham esse vilarejo em um típico filme recheado de tensão, com toques de suspense, trazendo questionamentos interessantes sobre ética, família e culpa.
Eleito um dos 100 melhores filmes do século pela New York Times. Aftersun é um daqueles filmes com uma trama extremamente simples que, no entanto, esconde um poder devastador. O longa-metragem de estreia da cineasta Charlotte Wells é a história de uma menina de 11 anos e suas boas lembranças de suas últimas férias com o pai em um resort de praia turco. Isso é o suficiente para uma experiência cinematográfica profundamente comovente, tão visualmente poética quanto narrativamente dolorosa, em um retrato de uma família quebrada e prestes a mudar para sempre.




